Obstáculos para a doação de sangue no Brasil

Enviada em 28/08/2018

Apesar das inúmeras consequências negativas, a Segunda Guerra Mundial, conflito ocorrido durante o século XX, promoveu o surgimento dos bancos de sangue, que permitiram o salvamento de inúmeros civis e militares feridos. Atualmente, o Brasil depende da atuação de um número reduzido de voluntários, que, a partir da transfusão, corroboram a realização de transplantes, cirurgias e atendimentos emergenciais nos hospitais brasileiros. Dessa forma, é imprescindível que haja o amadurecimento da sociedade civil quanto à importância de garantir a manutenção do estoque sanguíneo nos hemocentros do país.

Em primeira instância, segundo relatório disponível pelo Ministério da Saúde, no ano de 2014, apenas 1,8% da população brasileira colaborou com a arrecadação sanguínea promovida no país. Esses dados são resultado, dentre outros fatores, da propagação, no território nacional, de uma cultura mistificada acerca da doação de sangue e da ausência de uma conscientização eficaz. Informações como engrossamento ou afinamento do tecido líquido, perda ou ganho de peso e, ainda, contágio de doenças decorrentes de uma transfusão, são noções que, quando dissipadas, reduzem o número de doadores brasileiros.

Outrossim, a escassez de investimentos destinados à prática transfusional no meio hospitalar reduz o número de pacientes beneficiados pela doação de sangue. De acordo com o coordenador da área de sangue e hemoderivados do Ministério da Saúde, João Paulo Baccara, apesar da demanda sanguínea ter apresentado crescimento, devido, sobretudo, ao envelhecimento da população e ao aumento da complexidade da medicina, é importante que a captação desse tecido seja qualificada. No entanto, há no Brasil uma deficiência estrutural, tendo em vista que o país desfruta apenas de duas unidades móveis destinadas à transfusão e, além disso, há ainda hemocentros no Nordeste que não dispõem de agências transfusionais, responsáveis por testes e pela liberação dos hemocomponentes.

É inquestionável, portanto, a necessidade de propor medidas que objetivem reduzir o número de obstáculos que se interpõem à prática de doação de sangue no Brasil. As Secretarias de Saúde e Educação dos municípios brasileiros devem promover, nas escolas públicas do país, palestras com profissionais da saúde, que contem com a participação dos alunos e responsáveis e garantam à sociedade civil um aporte maior de informações, a fim de desmistificar as práticas de transfusão sanguínea e estimular o exercício cidadão entre os mais jovens. Ademais, o Ministério da Saúde deve assegurar um aumento percentual nos investimentos destinados aos hemocentros nacionais, de forma a possibilitar o financiamento de unidades móveis e o estabelecimento de mais agências transfusionais.