Obstáculos para a doação de sangue no Brasil
Enviada em 30/08/2018
Não são poucos os fatores envolvidos na discussão acerca dos obstáculos para a doação de sangue no Brasil. Segundo Frans Kakfa, escritor alemão, a solidariedade é o sentimento que melhor expressa o respeito pela dignidade humana. Nessa lógica, um simples ato pode ajudar a salvar inúmeras vidas. Entretanto, observa-se um distanciamento desse ideal no país, uma vez que empecilhos dificultam o processo de doação. Logo, a fim de compreender o problema e alcançar melhorias,basta analisar como a desinformação social e as restrições baseadas na orientação sexual contribuem com esse quadro.
Em primeiro lugar, vale ressaltar que de acordo com a Organização Mundial da Saúde, somente 1,8% da nação brasileira doa sangue, enquanto a taxa considerada ideal é de 3% a 5%. Isso ocorre, em razão do desconhecimento a respeito da importância de doar sangue e de medos e estigmas presentes na sociedade, fatores que se agravam devido a ausência de campanhas informativas que fomentem a ação. Com isso, sem uma maior divulgação à população, os preceitos sociais não são esclarecidos e o número de doadores voluntários é menor do que a demanda, impossibilitando o surgimento de novas doações. Assim, nota-se conformidade com a frase de Francis Bacon, político inglês, “Conhecimento é poder”, haja vista que a informação é crucial para a formação de doadores com responsabilidade social.
Ainda nessa questão, é fundamental pontuar que proibir homens que realizaram atividades sexuais com outros homens em um período menor de 12 meses de doarem sangue impede o aumento de doações no país. Vale salientar que, isso advém do estabelecimento de grupos de risco pelo Ministério da Saúde para proteger quem vai receber a transfusão de possíveis infecções. Todavia, ao estabelecer grupos e não condutas de risco, a atitude além de ser discriminatória impede que vários indivíduos sejam beneficiados. Para ilustrar, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, com a restrição dessa parcela da população, são desperdiçados 18,9 milhões de litros de sangue por ano. Isto posto, percebe-se que essa proibição inviabiliza melhorias e constitui um atraso social.
Nesse sentindo, ficam evidentes, portanto os elementos que colaboram com o atual cenário negativo do país. Ao Ministério da Educação, cabe a elaboração de rodas de conversa e palestras públicas em escolas com profissionais da área da saúde, para esclarecer os mitos e estigmas existentes e falar sobre a importância de doar sangue, com o objetivo de auxiliar na formação de uma sociedade mais consciente e participativa. É imprescindível, também, que o Ministério da Saúde, por intermédio dos meios de comunicação, incentive a doação, além de implementar regras igualitárias e alterar a norma que diferencia homossexuais de heterossexuais,levando em consideração os comportamentos de risco, com o propósito de erradicar o preconceito e viabilizar um aumento nas doações de sangue no Brasil.