Obstáculos para a doação de sangue no Brasil

Enviada em 03/09/2018

Ao longo do tempo, várias descobertas revolucionaram o campo da medicina e contribuíram significamente para o progresso da humanidade. Dentre esses feitos está a transfusão de sangue, a qual teve o primeiro caso documentado no século XVII. Embora o procedimento tenha seu papel importante dentro da sociedade, os números de doações são baixos – cerca de 2% da população – em comparação aos almejados (em torno de 3% a 5%, segundo a Organização Mundial de Saúde). Nesse contexto, é preciso discorrer sobre os obstáculos para a doação de sangue no Brasil, o que se deve a fatores como: falta informação e não fazer parte da cultura brasileira.

Em primeira análise, nota-se que a falta de informação sobre procedimento é responsável pelos baixos números de doadores. Isso ocorre devido, segundo o hematologista Edgard Nascimento, a doação no país ainda ser cercada de mitos. Muitas pessoas, por exemplo, creem que, ao doarem sangue, irão contrair alguma doença infecciosa como Aids, ou terão sua saúde fragilizada. Além disso, acreditam que o sangue ficará espesso e obstruirá as veias, ou não voltará ao estado normal. Sendo assim, é notório que essa questão ainda é um assunto que não está sedimentado na maior parte da população.

Além do mais, o brasileiro não possui a cultura para esse ato, sendo essa uma das responsáveis por esses obstáculos. Isso acontece porque, de acordo Dimas Tadeu Covas, presidente da Associação Brasileira de Hematologia, Hemoterapia e Terapia Celular, o país não possui uma cultura de doação, os indivíduos só doam quando um amigo ou parente estão com necessidades. É indubitável que isso tem relação ao processo de formação da sociedade, a qual é fragmentada por um individualismo. Sendo esse explicado pelo o sociólogo Zygmunt Bauman na obra “Amor Líquido”, em que as pessoas estão cada vez menos envolvidas nas relações interpessoais e insensíveis quanto às necessidades da sociedade.

Salienta-se, portanto, que existem vários bloqueios para a doação de sangue na federação brasileira, e isso deve ser analisado. Diante disso, o Ministério da Saúde deve, por meio de campanhas trimestrais, fazer mutirões, principalmente em lugares de bastante fluxo de pessoas, com o intuito de levar ao público o esclarecimento e a importância da doação de sangue no país, além de incentivar que esse adote o procedimento como algo cultural. Também é imprescindível inserir tal temática nas escolas, para que a criança se desenvolva com essa realidade e desconstrua a formação individualista,  isso pode ser feito através da introdução de disciplinas extracurriculares, saúde coletiva e ética, trabalhadas por pedagogos e psicólogos.