Obstáculos para a doação de sangue no Brasil
Enviada em 31/08/2018
Alteridade. Empatia. Solidariedade. Essas são três palavras que definem o que toda nação deveria buscar e praticar, porém na realidade brasileira isso é visto cada vez menos. Um exemplo disso é o ato de doar sangue, que se tornou menos frequente e mais esquecido pela sociedade, uma vez que, muitas pessoas apenas doam quando um ente querido necessita. Nesse sentido, é essencial discutir quais as dificuldades e obstáculos que impedem uma real efetivação para doação de sangue no Brasil.
Analisa-se, de início, que os fatores primordiais para a manutenção dessa problemática residem na falta da consciência cidadã e também em uma herança cultural que incapacita o comprometimento da população. Infelizmente, por motivos culturais ou por falta de informação, a população encontra-se sem o auxílio para perceber a importância de doar sangue, o que a caba gerando um quadro que culpabiliza a sociedade, em face da desinformação e a falta de solidez nas políticas públicas. Tal fato ainda pode ser explicado pela herança cultural brasileira, pois o Brasil, diferentemente de outros países - principalmente os desenvolvidos, como o Japão ou os Estados Unidos - não se envolveu em grandes guerras ou passou por grandes catástrofes naturais, assim, tais países desenvolveram em suas sociedades a compreensão da doação de sangue e a empatia pelo próximo. Prova disso é que segundo o Ministério da Saúde a taxa de doação de sangue voluntária é 9 vezes maior em países ricos.
Pontua-se, ainda, que o preconceito atribuído a grupos LGBT’s reduz ainda mais o número de voluntários, pois o próprio Ministério da Saúde restringe a doação de sangue por homens que tiveram relação sexual com outros homens nos últimos 12 meses. A incoerência é ainda maior quando o argumento usado é que esses grupos sociais estão mais predispostos a contrair HIV, sendo, assim, tal pensamento exclui uma boa parcela da sociedade que poderia se tornar voluntária. Desse modo, o número de pessoas que poderiam doar sangue fica ainda mais restrito, pois segundo a Organização Mundial de Saúde, somente 1,8% dos brasileiros da faixa etária de 18 a 69 anos são doadores.
Compreende-se, portanto, que ações devem ser feitas em prol de uma efetiva e contínua doação de sangue. Assim, urge que o Ministério da Educação em parceria com as Secretárias de Saúde estaduais implementem em escolas e universidades horários específicos para a realização de aulas sobre o tema, através da participação de profissionais da saúde, por conseguinte, se formarão indivíduos com uma efetiva responsabilidade social. Outro fator necessário é que o Poder Legislativo elabore leis que atendam a sociedade, sem ferir grupos sociais, assim, é fundamental a criação de uma lei que leve em consideração o comportamento de risco e não a identidade sexual. Dessa forma, se terá um país mais inclusivo e com uma verdadeira união social, em relação a saúde pública.