Obstáculos para a doação de sangue no Brasil

Enviada em 29/08/2018

As duas Guerras Mundiais, com os seus avanços em diversos âmbitos, incluindo na área médica, possibilitou que a doação de órgãos se tornasse uma realidade. No Brasil, a taxa de doações aumentou consideravelmente nos últimos anos, no entanto, ela ainda é inferior a real demanda, tornando a doação de órgãos um desafio. Isso porque, a desconfiança na qualidade do Sistema Público de Saúde e a sua carência de infraestrutura, somada ao escasso repasse de informações concretas sobre o tema, dificultam ainda mais a realização desses transplantes.

É necessário compreender, que a morte encefálica não tem cura e nem recuperação e, oficialmente, é uma definição legal do falecimento. Contudo, devidos aos mitos que circundam esse assunto ainda existe um grande Tabu o envolvendo. Visto que, muitas vezes, as famílias não possuem o conhecimento pleno sobre essa situação, ocasionando uma pseudo-esperança de que o ente querido irá melhorar e acordar, devido, geralmente, não receberem de uma forma adequada informações sobre a morte e a possível doação de órgãos. Além do medo de um falso diagnóstico, a falta de diálogo do possível doador com seus familiares contribui para o aumento da taxa de negação familiar.

Outrossim,a falta de infraestrutura nos hospitais e a grande lista de espera, também contribui para essa problemática.Isso devido ao baixo investimento na área da saúde e ao fato de que somente uma pequena parte de instituições são preparadas para esse tipo de procedimento e essas não raro se concentram na Região Sudeste,dificultando para as outras regiões do pais,devido a sua vasta extensão territorial.Por conseguinte, potenciais doadores em regiões afastadas não conseguem doar, por não possuir próximo instituições equipadas e não ter um transporte rápido e eficaz para tornar viável a ocorrência desse transplante.Outro ponto, é o medo da grande lista de espera, já que em 2015 mais de 2 mil pessoas morreram aguardando nessa lista de acordo com a ABTO, chamada de “lista da morte”.

Fica nítido, portanto, como a doação de órgãos ainda é uma problemática no Brasil. Sendo assim, é necessário um aprimoramento no repasse de informações acerca desse tema, tornando a equipe responsável mais capacitada, por meio de palestras e cursos oferecidos pelas instituições para lidarem corretamente e de maneira objetiva com esse tipo de situação. Além disso, o poder midiático deve contribuir com mais campanhas e propagandas acerca do assunto, para informar e atingir um público maior de maneira correta e incisiva acerca da importância de ser um doador. Ademais, o Ministério da Saúde, juntamente com o Estado, deve direcionar mais verbas para a saúde pública e disponibilizar aviões da FAB com o intuito do transporte à longa distância para viabilizar os órgãos de doadores de estados afastados, para assim, cada vez mais pessoas possam ser salvas.