Obstáculos para a doação de sangue no Brasil
Enviada em 01/09/2018
Na obra pré-modernista " Triste Fim de Policarpo Quaresma", do escritor, Lima Barreto, o protagonista acredita fielmente que, se superado alguns obstáculos, o Brasil projetar-se-ia ao patamar de nação desenvolvida. Entretanto, a prática deturpa a teoria, visto que a questão da doação de sangue é uma problemática hodierna. Diante disso, cabe analisar a falta de eficácia na conscientização, além do individualismo da sociedade como fatores que impedem a resolução do impasse.
É Indubitável que a falta de conscientização é uma das causas que impede a ocorrência eficaz das doações de sangue, no Brasil. Isso porque, ocorre uma ausência do conhecimento da importância da doação, principalmente, desde a infância, haja vista que, de acordo com o Ministério da Saúde, apenas 1,8% da população brasileira doa sangue, porcentagem superior à taxa recomendada pela Organização Mundial da Saúde (OMS), que é de 1% da população. Desse modo, é notória a necessidade de políticas públicas para que a conscientização da doação de sangue se torne presente na mentalidade brasileira.
Ademais, cabe ressaltar, também, as consequências do individualismo para a doação de sangue. Quanto a essa questão, o sociólogo Zygmunt Bauman defende na obra " Modernidade Liquida" que, o individualismo é o maior conflito da pós-modernidade, e, consequentemente, uma parcela da população tende a ignorar a concepção de bem-estar da coletividade. Dessa maneira, esse problema assume contornos específicos no Brasil, onde, apesar de ações como o Dia Mundial da Doação de Sangue reforcem a importância desse ato, há quem ainda ignore essa ação, sendo imprescindível desconstruir esse individualismo enraizado.
É evidente, portanto, que caminhos são necessários para mitigar os obstáculos para a doação de sangue, no Brasil. Dessa forma, cabe ao Governo Federal, em parceria com os Ministérios da Saúde e Educação, promover campanhas de conscientização do valor da doação para a sociedade - uma vez que o entendimento possibilita a sensibilização de novos doadores - por meio de palestras de profissionais da saúde, com o fito de construir indivíduos que se preocupem com o próximo, e, por conseguinte, doadores futuros. Assim, isto posto, gradativamente, será possível reverter o cenário atual e amenizar tal entrave.