Obstáculos para a doação de sangue no Brasil
Enviada em 01/09/2018
A deficiência de uma sociedade cega
Historicamente, questões relacionadas ao sangue humano sempre rodearam-se de misticismo, uma vez que a doação era considerada tabu para a época. Concomitantemente, na hodierna sociedade já se fazem outras reflexões acerca dessas transferências, em que são permitidas por meio do voluntariado. Entretanto, em alguns casos, ainda há certo empecilho, à medida que persiste uma herança cultural e uma deficiência estrutural no país.
Em primeira análise, é possível ressaltar a questão biológica, na qual a polialelia permite a doação de todos os tipos de sangue efetuando-se de forma correta. Dessa forma, restringe-se a ideia de que não são todos que podem doar. Nesse viés, essa omissão de arrimos se dá por fatores históricos (ideia de que a doação repassa doenças) ou por proibições religiosas. Consoante a isso, há uma ausência de conscientização à respeito do tema, solidificada pelo livro de Zygmunt Baumam, Cegueira Moral, em que os semelhantes apresentam uma falta de sensibilidade em relação a dor do próximo, corroborando, assim, para a existência de estigmas sociais.
Seguindo essa linha de raciocínio, é possível citar a Teoria do Corpo Biológico, que para Émile Durkheim, a sociedade deve funcionar como um corpo biológico, se algo funciona mal, entra tudo em colapso. Nessa perspectiva, a estruturação dos centros de coleta devem ser padrões, ou seja, ter um condicionamento, no mínimo, respaldado para, enfim, ter eficiência no colhimento dos sangues. Contudo, além da infraestrutura, as normas e proibições limitam as oblações, como por exemplo as restrições às doações de homossexuais e pessoas com tatuagem. Desta maneira, tais ações fundamentam o mal condicionamento do estirpe e desestimula os doadores, reduzindo, consequentemente, as bolsas de sangue.
Diante dos fatos supracitados, conclui-se que se faz necessário uma adequação ao sistema de doações. Sendo assim, é preciso que a Escola, com incentivos familiares, busque orientar aquele cidadão desde a infância sobre a importância desses auxílios, por meio de exposições didáticas e atividades lúdicas, com o intuito de reverter o quadro cultural e conscientizatório existente atualmente. Outrossim, urge ao o Governo o dever de subsidiar a melhoria nas estruturas dos centros de coleta, por intermédio de verbas da Receita Federal, e, além disso, rever as restrições existentes, junto ao Ministério da Saúde, mediante pesquisas, a fim de incentivar os brasileiros a doar e salvar vidas. Posto isso, a cegueira da sociedade mitigará, assim como os obstáculos para a doação de sangue no Brasil.