Obstáculos para a doação de sangue no Brasil
Enviada em 30/08/2018
Segundo o sociólogo Émile Durkheim, a sociedade funciona como um organismo vivo, ou seja, todos os componentes deveriam viver em harmonia para que fosse possível conquistar o bem-estar geral. No entanto, o Brasil ainda não apresenta esse equilíbrio nacional, visto que ainda existem muitos obstáculos para o sucesso da doação de sangue no país. Nesse sentido, tal situação é sustentada pela negligência da população e pelas limitações impostas pelos hemocentros.
Em primeira análise, é necessário constatar que a população encontra-se carente das informações básicas quanto ao assunto. De acordo com o estudo feito pelo canal BCC, a cada 10 doadores 6 são voluntários, provando que são poucas pessoas que realizam doações de sangue, apenas 1,8% da população. Nessa perspectiva, isso ocorre por conta da insuficiência das campanhas publicitárias, que influenciam na falta de interesse dos cidadãos. Dessa forma, a maioria das pessoas se sentem inseguras quanto ao procedimento, e ainda acreditam na transmissão de doenças contagiosas e outros falsos riscos de saúde, diminuindo cada vez mais o número de voluntários. Porém, o precedimento é totalmente seguro, que disponibiliza cuidados ao paciente e não oferece riscos à saúde do mesmo.
Somado a isso, tem-se o fato de que a legislação dos hemocentros criam obstáculos para uma parte da população. Isso porque, os homossexuais só podem doar sangue após um período de 12 meses sem relações sexuais, pois o Ministério da Saúde acredita que pode haver o risco de contaminação por HIV em uma transfusão. Porém, trata-se de uma medida equivocada, pois, a Síndrome da Imuno-Deficiência Adquirida pode atingir a todos os grupos atualmente. Dessa forma, de acordo com dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), de 101 milhões de homens que vivem no país, 10,5 milhões é homo ou bissexual. Consequentemente, com a restrição dessa parcela da população, são desperdiçados 18,9 milhões de litros de sangue por ano.
Em virtude dos fatos mencionados, é de extrema importância a doação de sangue para a garantir que vidas sejam salvas. Torna-se evidente, portanto, a iminência em cessar essa problemática. Em razão disso, as escolas em parceria com a mídia, devem realizar campanhas que busquem a conscientização desde a infância, com o objetivo de mudar o pensamento alienado da população e contribuir para um maior número de futuros doadores. Ademais, o Estado em parceria com o Ministério da Saúde, devem estabelecer políticas públicas que disponibilizem mais informações quanto à doação, para garantir que as pessoas se disponham a doar sangue regularmente. E por fim, devem ainda implementar legislações que englobem os homossexuais e investir em avanços tecnológicos que aprimore os procedimentos de doação de sangue e garanta o direito igualitário para todos.