Obstáculos para a doação de sangue no Brasil
Enviada em 29/08/2018
Durante o mandato do ex-Prefeito do Rio de Janeiro Pereira Passos, a cidade foi palco da Revolta da Vacina, na qual as camadas populares se insurgiram contra a truculência governamental durante as aplicações dos medicamentos. Em 2018, aproximadamente um século após o referido caso, a desinformação acerca de questões salutares ainda é um obstáculo para que o Brasil apresente uma quantidade aceitável de doadores de sangue.
Em primeira análise, é importante notar que características pessoais contribuem para agravar a problemática. Segundo o sociólogo Zymunt Bauman, a sociedade sofre da cegueira moral, responsável pela indiferença dos indivíduos em relação aos seus semelhantes. Desse modo, qualquer ação caridosa que não beneficie diretamente o seu ator é protelada ou simplesmente ignorada em prol de compromissos considerados mais importantes. Consequentemente, o pequeno número de pessoas dispostas a ajudar o próximo aumenta a frequência de crises sociais, como a enfrentada pelos bancos de sangue brasileiros.
Paralelamente a isso, as poucas ações promovidas pelo Ministério da Saúde são insuficientes para suprir as demandas sanguíneas dos hospitais. Em 2016, o Senado brasileiro aprovou o Projeto de Emenda Constitucional que congela os gastos do Governo Federal por 20 anos. Tal medida afeta diretamente a saúde pública, dificultando a execução de campanhas de doação e reduzindo os recursos necessários para a coleta pelos próximos anos. Dessa forma, a população, já pouco propensa a praticar atos de caridade, é desestimulada pelo poder público.
Portanto, intensificar a promoção de informações acerca do processo de doação sanguínea, bem como dos postos de coleta, se faz essencial para reverter o quadro. Cabe ao Ministério da Saúde pressionar o Governo Federal a fim de obter verbas para a confecção de vídeos e cartazes informativos que possam ser publicados na televisão e em redes sociais. Assim, o Brasil da Revolta da Vacina dará lugar a um país mais consciente.