Obstáculos para a doação de sangue no Brasil
Enviada em 03/09/2018
A doação de sangue é de extrema importância para pessoas que devido a alguma condição de saúde, necessitem submeter-se a transfusões. No entanto, o preconceito e as inúmeras restrições que são impostas à doação, fazem com que os estoques nos bancos fiquem abaixo do ideal.
Mesmo com todo o conhecimento atual referente à sexualidade, os hemocentros ainda impedem que pessoas que tiveram relações sexuais com desconhecidos, ainda que com o uso de camisinha, sejam doadoras pelo período de um ano. Esse mesmo tempo é imposto a homens que tiveram sexo com outros homens. Tal prática, além de ser discriminatória, reduz a oferta de possíveis doadores, pois segundo o IBGE, 10% da população brasileira masculina é homossexual ou bissexual.
Além dessa exclusão, diversas outras restrições são colocadas a quem quer ser doador. Por exemplo, pessoas que fizeram tatuagens ou colocaram “piercings” ficam impedidas de doar por um ano. Outro fator de exclusão é o peso, além de possuir mais de 50 quilos, o indivíduo deve ter o IMC (Índice de Massa Corporal) de acordo com as regras impostas pelo Ministério da Saúde e Anvisa. Essas e outras razões fazem com que apenas 1,8% da população seja doadora, quando o ideal recomendado pela ONU, é de que esse montante seja de 3% a 5%.
Portanto, faz-se necessário que os obstáculos impostos à doação sanguínea no Brasil sejam diminuídos. Para isso, o Ministério da Saúde e a Anvisa devem reavaliar os critérios, como os impostos aos homossexuais, que excluem parte da população de ser doadora, e consequentemente eliminar os desnecessários. Bem como, cabe ao Ministério da Saúde promover campanhas em escolas, universidades e nos meios de telecomunicações, que esclareçam informações sobre o tema e incentivem a doação. Assim, com tais medidas será possível fazer com que os estoques de sangue nos hemocentros cheguem ao ideal.