Obstáculos para a doação de sangue no Brasil
Enviada em 07/09/2018
Esperança negligenciada
O pensamento de Carlos Drumond: “Ninguém é igual a ninguém. Todo o ser humano é um estranho ímpar”; propõe que, a individualidade se sobrepõe ao coletivo em diversos momentos da construção social. Assim, a malquista doação de sangue provém da carência de informações e, ainda, evidencia sua legislação ultrapassada - uma barbárie, incoerentemente, (oni)presente.
No que diz respeito a limitação de doadores de sangue no país, esta envolve aspectos comportamentais, sociais e estruturais. Nesse sentido, a falta de conhecimento da população sobre o procedimento, destaca-se como o principal fator do baixo número de ofertas, uma vez que resgatam-se mitos populares acerca da doação sanguínea. No entanto, crenças comuns de que é possível contrair doenças ou engordar após a técnica não se confirmam, como também atrapalham o hábito de quem já caracteriza-se doador.
Por outro prisma, análogo a desmotivação, as restrições baseadas em circunstâncias ultrapassadas, tal qual proíbe a doação de sangue por homens que tiveram relação sexual com outros homens nos últimos 12 meses, à medida que justificam que esse grupo social demonstra ser mais propenso a contrair HIV e outras DST’s. Sob esse aspecto, floresce um pensamento preconceituoso, visto que essas doenças atinge todos os grupos, além de excluir uma parcela da população a praticar um ato solidário, pois conforme dados do Ministério da Saúde, apenas 1,8% da população se dispõe a doar.
Infere-se, pois, que a discriminável doação de sangue conclama políticas públicas ativas. Dessa forma, o Ministério da Educação deve realizar palestras nas escolas com profissionais especializados, sobre a importância deste ato altruísta, para que as crianças e os jovens cresçam pensando na possibilidade de se tornar um doador. E, o Ministério da Saúde, juntamente com o Ministério da Justiça, propor uma modificação na legislação atual, incluindo os homossexuais como parte dos doadores, afim de quebrar esse preconceito e aumentar a demanda. Logo, na perspectiva de que a esperança deixe de ser negligenciada.