Obstáculos para a doação de sangue no Brasil
Enviada em 30/08/2018
Hodiernamente, o Brasil vive sob a égide de uma democracia que provém da Constituição promulgada em 1988. A partir desse pressuposto, inscritos em tal conjunto de leis estão os artigos 5º e 6º, os quais têm por função garantir, principalmente, o respeito à dignidade humana e à saúde a todos os cidadãos. Entretanto, apesar de assegurado pela Magna Carta vigente, a existência de obstáculos históricos e contemporâneos no processo de doação sanguínea causa a falta desse bem em vários hospitais, o que é uma situação de risco para a vida de milhares de brasileiros.
A priori, é importante sublinhar que a hemoterapia é cercada por diversos mitos que advêm da falta de informatividade e de heranças familiares. Com o advento do processo de globalização neste século, embora a conectividade da população quanto às notícias em tempo real e às campanhas governamentais tenha ficado mais fácil, a perpetuação dos mitos quanto à doação de sangue também ganhou força, por intermédio das “fake news”, que propagam informações falsas como o risco de morte e a dor na ação. Dessa maneira, o número de voluntários ainda não é o ideal estabelecido pela ONU, que é de 30 doadores a cada 1000 pessoas, fato que merece maior atenção do Estado.
A posteriori, caberia lembrar ainda que, com o progresso da medicina, a qual a cada dia consegue realizar tratamentos oncológicos, de emergência e transplantes com mais eficiência, a demanda por bolsas de sangue também é aumentada. Sendo assim, não obstante a quantidade de pessoas solidárias consigam gerar cerca de três milhões de litros de sangue ao ano, segundo dados do Ministério da Saúde, durante os períodos de festividades dos brasileiros esse índice de doadores reduz de maneira preocupante. Nessa perspectiva, a necessidade por campanhas na mídia que incentivem o tratamento humanitário dos doadores com o intuito de aumentar os estoques é essencial.
Destarte, para enfrentar os desafios de assegurar os direitos fundamentais, mormente os referentes à saúde e à dignidade, é necessária uma política que se oriente pelo princípio da responsabilidade compartilhada dos atores sociais, como o Estado e a sociedade. Nesse sentido, é inerente ao Governo, na figura do Ministério da Saúde, implementar, por intermédio de políticas públicas de incentivo à doação de sangue no Brasil, campanhas que orientem e incentivem os cidadãos a se comprometerem com o bem do próximo, fortalecendo a desmistificação desse processo, a partir do esclarecimento da idade de quem pode doar, da segurança que o processo envolve e das milhares de vidas que esse ato pode salvar, com o intuito de tornar o país mais justo e solidário. Por fim, é função da sociedade civil organizada, sensibilizar, por meio das redes sociais, acerca da importância da participação nos hemocentros para a concretização da vida.