Obstáculos para a doação de sangue no Brasil
Enviada em 02/09/2018
Durante a primeira guerra mundial, o processo de transfusão sanguínea deu um primeiro passo rumo a sua consolidação na medicina: a descoberta do anticoagulante criou novas possibilidades no que tange ao manuseio do sangue. Entretanto, hoje, após declarada a sua importância em sociedade, o ato da doação enfrenta desafios no Brasil, perpassando por uma esfera educacional e pelos mitos que acabam difundindo um receio quanto a transferência. Sendo assim, é necessário analisar tais pontos. Em primeiro lugar, é válido ressaltar que a negligência na conscientização da população jovem acaba sendo, a longo prazo, um fator prejudicial. Isto é, familiarizar o indivíduo, desde a idade tenrea, acerca do assunto se torna uma estratégia mais eficiente do que desconstruir as suas crenças após a juventude, o que expressa que a inserção dessa pauta nas palestras de saúde coletiva tende a formar um adulto menos resistente a ação de doar. Nesse sentindo, propagar, em ambientes educativos, a importância da transfusão sanguínea, garante também a vigilância quanto a procedência das informações transmitidas, o que evitará esforços futuros para resgatar uma consciência coletiva. Ademais, observa-se que há, em sociedade, mitos que afastam a população dos hemocentros. O escritor britânico Charles Caleb disse que a má informação é mais desesperadora que a não informação, o que ratifica os danos que a propagação de falsas afirmações podem gerar para o meio social. Ou seja, o receio de ser acometido por uma doença, dentre muitas outras lendas, distancia o brasileiro dos postos, evidenciando a necessidade de reversão dessa situação em um curto prazo. Desse modo, tais boatos acabam por exigir medidas emergenciais a fim de evitar a instabilidade dos estoques.
Fica claro, portanto, que a conscientização do ato de doar deve começar desde a juventude, exigindo, também, esforços para sanar boatos acerca. Sendo assim, o Ministério da Educação pode criar projetos anuais de debate sobre o ato da transfusão, convidando profissionais de saúde para irem as escolas – públicas e privadas –, de forma a tirar dúvidas e esclarecer todo o processo, desde a triagem até a efetiva transferência. O Ministério da Saúde, por sua vez, pode propagandear, nas mídias, informes que objetivam desmentir e esclarecer os boatos que acabam permeando as redes. Só assim será criada uma população mais compreensiva da importância da doação de sangue.