Obstáculos para a doação de sangue no Brasil
Enviada em 31/08/2018
Solidariedade no sangue
Segundo o escrito Franz Kafka, “a solidariedade é o sentimento que melhor expressa o respeito pela dignidade humana” e este tem a ver com a doação de sangue, gesto de empatia para com o próximo. No Brasil, porém, há obstáculos culturais, religiosos e legislativos que dificultam o processo e prejudicam os necessitados.
A Constituição brasileira assegura o direito à igualdade e o Sistema Único de Saúde (SUS) tem equidade e universalização como princípios, entretantos esses não são plenamente cumpridos, pois homens bi e homossexuais são impedidos de doar sangue, a não ser que estejam há 12 meses sem atividade sexual. Tal restrição, considerada discriminatória por muitos, foi julgada pelo STF em 2017 e diversos movimentos LGBT+ seguem lutando pelo fim dela.
A justificativa dada à proibição é que homoafetivos são mais suscetíveis à doenças sexualmente transmissíveis, como a AIDS, mas pesquisas apontam que atualmente há maior número de casos de HIV em heterossexuais. Ou seja, a lei não contribui para a manutenção dos estoques de sangue em hospitais e hemonúcleos, pois impede que mais de 10 milhões de homens doem sangue devido à sua orientação sexual, ainda que esses possam contribuir com cerca de 18 milhões de litros por ano.
A fim de combater os obstáculos da doação de sangue é preciso que o governo, através do Ministério da Saúde, altere as regras para doação e comece a avaliar condutas individuais, como uso de preservativo, ao invés de impedir que determinados grupos a façam. Dessa forma, mais indivíduos poderão contribuir e exercer sua solidariedade.