Obstáculos para a doação de sangue no Brasil
Enviada em 31/08/2018
Durante o iluminismo, criou-se a perspectiva de que a sociedade possuía a capacidade de progredir, a partir da mobilização de uns para com os outros. No entanto, atualmente observam-se paradigmas impostos à população brasileira, relacionadas à doação de sangue, que contrariam esse ideal iluminista. Nesse contexto, cabe analisar dois fatos que não podem ser negligenciados, como a falta de colaboradores na doação para os hemocentros e a presença de estoques de sangue insuficientes para atender a demanda do país.
De início, é possível perceber que a participação de doadores é um ponto nevrálgico para a doação de sangue. Segundo o sociólogo Émile Durkheim, a coercitividade e a generalidade da sociedade contribuem para definir as atitudes de um indivíduo, nessa linha de pensamento identifica-se que uma população inteirada das necessidades que fazem parte dela, porventura, influência pessoas ao ato de doar sangue. Contudo, visualiza-se a burocracia dada aos interessados em doar, pelo fato de ser um processo minucioso que evita levar riscos aos receptores de sangue, por isso desestimula as pessoas que se dispõem a realizar a doação, mas não possuem conhecimento integrado ao seu respeito.
Outrossim, destaca-se que a prática de doar sangue deve corresponder as necessidades do país. O Brasil, mesmo vivendo uma instabilidade política durante os últimos anos construiu muitos hemocentros que se espelharam pelos estados, com atendimento específico aceitando doações de acordo com as legalidades da saúde, por isso que muitas pessoas recorrem espontaneamente a este ato solidário. Entretanto, a população brasileira tem elevado à expectativa de vida e crescido gradativamente, contando com mais de 260 milhões de cidadãos e muitas delas apresentam problemas de saúde e necessitam de doações, mas infelizmente tem se restringido a um pequeno e insuficiente contingente de colaboradores.
É evidente, portanto, que há muitos entraves impedindo a doação necessária e eficiente do sangue para pessoas necessitadas. Dessa forma, a mídia poderia ampliar o se poder de persuasão para estimular a participação solidaria de quem se interessa em doar sangue, adotando uma perspectiva de voluntariedade e ajuda aos pacientes que precisam do recurso. Como já dito pelo pedagogo Paulo Freire, a educação muda às pessoas e essas mudam o mundo. Logo, o Ministério da Educação (MEC) deve instituir nas escolas, palestras ministradas por equipes médicas para informar sobre a importância, responsabilidade, os riscos de se fazer a doação.Propor mudanças é fundamental, afinal assim como já defendia o psicanalista Sigmund Freud, a necessidade de viver bem faz elas acontecerem.