Obstáculos para a doação de sangue no Brasil

Enviada em 03/09/2018

A prática de doar sangue consiste em um ato solidário, ético e imprescindível para a progressão da dinâmica hospitalar por todo o país. Em virtude disso, a sociedade torna-se responsável por comparecer aos hemocentros e, num ato de cidadania, disponibilizar seu tempo e sangue pela causa. No entanto, as políticas e regras da doação de sangue no Brasil expõem uma burocracia e rigidez concernente a quem possa doar. Simultaneamente, a prática é cercada de mitos nocivos

Em primeira análise, a postura burocrática de hemocentros ao excluírem homens homossexuais ou bissexuais por terem relações sexuais dentro de um ano afeta a possibilidade de gerar mais estoque sanguíneo. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), existem mais de dez milhões e meio de homens pertencentes à classe. Logo, isso inviabiliza a doação de milhões de litros sanguíneos por ano.

Outro fator é a transmissão de informações errôneas relacionadas à prática. Esse fato somado à ausência de campanhas públicas destinadas a suprir as dúvidas do cidadão resultam na pouquidade do hábito altruísta de doar sangue regularmente. Sem a fomentação e a conscientização dos benefícios acerca do ato promovida pelo Estado, o país permanecerá na inércia vista no que tange à visibilidade e continuidade da prática.

Diante do exposto, é inadiável que o Estado atue com uma reforma política nos centros de doação com regras mais abrangentes aos possíveis grupos doadores. O Ministério da Saúde é o órgão encarregado de orientar e fiscalizar as regras impostas ao doador para que haja maior igualdade e abrangência, sem discriminação, iguais a todos. Para isso, deve ampliar o exame para qualquer grupo sexual e diminuir o grupo de risco excluindo homens com parceiros fixos. Ademais, urge que o Governo Federal promova campanhas com dados benéficos à prática, ao doador e ao receptor. Com efeito, haverá mais voluntariado e todos serão beneficiados.