Obstáculos para a doação de sangue no Brasil

Enviada em 30/08/2018

Segundo o escritor Franz Kafka, a solidariedade é o sentimento que melhor expressa o respeito pela dignidade humana. Nesta perspectiva, um simples auxílio pode transformar e salvar várias vidas, como aconteceu após o rompimento de uma barragem da mineradora Samarco, em Mariana (MG). Centenas de pessoas se prontificaram a enviar água e mantimentos àqueles que perderam tudo com o desastre ambiental: várias campanhas de arrecadação surgiram em diferentes pontos do Brasil e até mesmo a banda americana Pearl Jam se solidarizou e participou contribuindo financeiramente. No entanto, em outros casos, há empecilhos que dificultam o processo de ser solidário, como acontece em relação à doação de sangue no nosso país.

Primeiramente, a falta de informação corrobora para o desconhecimento sobre a importância de doar sangue. As campanhas publicitárias não são frequentes e, sem uma maior divulgação à população, o número de doadores faz-se menor do que a real demanda. No estado da Bahia, por exemplo, nos meses de fevereiro e junho, há grande concentração de eventos, como o Carnaval e as Festas Juninas, por conseguinte, maior ingestão de bebidas alcoólicas e motoristas embriagados, o que faz com que os acidentes no trânsito aumentem. Ainda assim, a exposição desse problema pelos meios de comunicação e o incentivo a novos doadores são escassos.

Além disso, a doação de sangue feita por homens homossexuais é marcada por obstáculos. De acordo com a Organização Mundial de Saúde, até o final da década de 90 os cidadãos que tinham relações homoafetivas constituíam o chamado “grupo de risco”, pois, nos anos 80, houve o auge da epidemia do vírus da HIV. Nesse sentido, o Brasil excluía a doação de homossexuais que tinham realizado sexo até o prazo de 12 meses. Entretanto, a orientação sexual não poderia nem deveria ser o critério de seleção, mas sim a condição de saúde dos indivíduos, uma vez que a Aids também é transmitida por heterossexuais. A partir desse raciocínio, considera-se, agora, o “comportamento/ conduta de risco” na triagem de possíveis doadores homossexuais e/ou heterossexuais.

Deve-se, então, superar as barreiras que interferem na doação de sangue. Portanto, a mídia tem papel imprescindível na exposição de dados informativos sobre as campanhas de sangue, seja na televisão e internet, seja em áreas físicas, como outdoors. Dessa forma, os cidadãos seriam incentivados a exercerem a solidariedade. Ademais, o governo, em parceria com a OMS, deveria investir em aparatos tecnológicos que controlem com maior rigor os grupos sanguíneos, para avaliar se o indivíduo é portador de alguma doença e averiguar a qualidade do sangue. Dessa forma, o número de voluntários aumentaria e ajudaria aos pacientes que carecem de transfusão sanguínea.