Obstáculos para a doação de sangue no Brasil
Enviada em 31/08/2018
No século XX, o cientista Landsteiner presenteou a humanidade com a descoberta dos tipos sanguíneos, o que viabilizou transfusões mais seguras e a redução das mortes por incompatibilidade. Entretanto, apesar da sofisticação no que tange aos aspectos científicos do procedimento, a quantidade insuficiente de doadores é uma problemática enfrentada pelo Sistema de Saúde Brasileiro. Assim sendo, existem obstáculos significativos para sanar essa insuficiência como a exclusão de homens gays e o fato da não remuneração do doador fazer desse processo um ato que depende exclusivamente da solidariedade cidadã.
Diante desse cenário, a não inclusão de homens homossexuais no grupo apto a doação tem sido classificada como discriminatória por grupos LGBTs. No entanto, apesar de comporem 10% da população e representarem um potencial significativo de doadores, é preciso considerar que eles ainda são um grupo de risco para o contágio de HIV. Consoante o fato de tratar-se de um patógeno capaz de permanecer em latência no organismo e, dependendo do estágio da doença, haver dificuldade da sua detecção nos exames, a exclusão desse grupo é de certa forma prudente. Porém, esforços no sentido da sofisticação desses exames podem viabilizar a inserção desse nicho no processo de doação.
Além disso, outro obstáculo considerável é o caráter meramente proativo das doações, ou seja, não é permitida a compra e venda de sangue. Com isso, apesar das campanhas governamentais e do apelo a solidariedade, muitas pessoas não se prontificam e apenas 1,8% da população nacional doa e não é ética a criação de mecanismos que obriguem-nas a doar. Logo, o desenvolvimento de técnicas que aumentem a produtividade do sangue doado é uma forma interessante de compensar a falta de doadores. A título de exemplo, o método da Áferese, que centrifuga o fluído e aproveita melhor seus componentes, faz com que o aproveitamento do sangue doado por 120 pessoas seja equivalente ao de 2000 doadores.
Evidenciam-se, por conseguinte, barreiras importantes para sanar a demanda por sangue no Brasil. A fim de incluir homens gays no processo, o Ministério das Ciências deve promover a pesquisa sobre a detecção do HIV, em todos os estágios, por meio do investimento em grupos de cientistas interessados de institutos como a Fiocruz e porterior inclusão desses testes nos centros de doação. Ademais, o Ministério da Saúde deve investir em técnicas como a Áferese, por intermédio de convênios com universidades que se dedicam a desenvolvê-la e implantação desses métodos nos Hemocentros, aumentando, assim, a produtividade do material doado. Dessa forma, assim como com Landsteiner, mais vidas poderão ser salvas.