Obstáculos para a doação de sangue no Brasil

Enviada em 02/09/2018

Segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde), é recomendável que o índice percentual de doadores de sangue em um país esteja entre 3,5% e 5%. Entretanto, no Brasil, tal índice não chega à 2%. Isso, é reflexo dos obstáculos que o país enfrenta em relação à doação de sangue, seja por falta de informação ou esclarecimento da população sobre mitos e medos, assim como, a restrição de doação do grupo de risco, constituído por homens homossexuais. Assim, medidas que transformem essa realidade, fazem-se necessárias, já que isso se tem tornado uma questão de saúde pública.

Primeiramente, é notório que a falta de informações sobre a doação de sangue constitui um dos principais obstáculos enfrentados pelo Brasil em tal temática. Apesar de existirem, as campanhas publicitárias ainda não são frequentes e pouco eficazes, o que torna o país com menor índice de doação na América Latina, segundo a OMS. Desse modo, as doações não são contínuas e passam a ser maiores apenas em casos pessoais e familiares, quando estes precisam de transfusões. Além disso, o fato de mitos e medos serem existentes, faz com que grande parte da população não tenha o hábito de doar sangue, ao alegar que pode doer, causar fraqueza ou ficar sem sangue.

Além disso, a exclusão de homens homossexuais que não tenham tido relações sexuais no período de doze meses, também consiste em um grande obstáculo em relação à doação de sangue no Brasil. Segundo o Ministério da Saúde, tal exclusão é motivada pelo fato de serem considerados grupo de risco nos anos 80, devido a iminência de AIDS e doenças sexualmente transmissíveis. Isso, porém não deveria ser critério avaliativo durante as doações, uma vez que, homens podem doar até quatro vezes no ano, diferente de mulheres, que só podem 3 vezes. Desse modo, as condições de saúde dos doadores têm que ser mais relevantes em detrimento de suas orientações sexuais.

Assim, a fim de atenuar os obstáculos enfrentados pelo Brasil em relação à doação de sangue, é de suma importância a correlação entre mídia e governo. Dessa maneira, ao primeiro, cabe a criação de campanhas que visem mostrar a população a necessidade de doar sangue, através dos meios de comunicação, como televisão e internet. Já ao segundo, cabe a mudança no sistema legislativo com intuito de excluir o critério que restringe os homens homossexuais de serem doadores de sangue. Ainda, atrelado à isso, cabe ao Ministério da Saúde, maior fiscalização do sangue durante o processo de doação. Desse modo, o número de doadores se tornaria maior e consequentemente inúmeras vidas seriam salvas por meio de um gesto de solidariedade.