Obstáculos para a doação de sangue no Brasil

Enviada em 31/08/2018

Em razão da grande quantidade de feridos na Segunda Guerra Mundial, houve o crescimento da demanda por transfusões sanguíneas que, em razão do progresso científico, implicou no aparecimento dos primeiros bancos de sangue privados - até então inacessíveis para grande parte da população. Hodiernamente, ainda que a terapia transfusional no Brasil seja voluntária, o país encontra obstáculos na sua democratização. Nesse contexto, é imprescindível analisar os aspectos políticos e sociais que contribuem para a persistência dessa problemática.

Convém ressaltar, a princípio, a sociedade como propulsionadora da negligencia com a doação de sangue. De acordo com Durkheim, essa preocupação pode ser considerada um fato social, pois é dotada de ação coercitiva entre os indivíduos mais jovens, visto que estão sujeitos a incorporar a estrutura social em que estão inseridos. Portanto, se uma criança pertence a um grupo que não possui o hábito de agir em prol do outro, por exemplo, através da contribuição em hemocentros, ela tende a ter o mesmo comportamento. Por conseguinte, essa atitude contribui para a queda na quantidade de doadores, que segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS) são apenas 1,8% da população brasileira, provocando assim, a baixa no estoque de sangue dos hospitais, o que resulta, por exemplo, na suspensão de cirurgias.

Outrossim, o preconceito intrínseco no país dificulta a superação dos obstáculos na doação de sangue. Tal fato se dá porque, segundo a OMS, os homens que possuem relações homoafetivas constituem um “grupo de risco”, pois nos anos 80 houve o auge da epidemia do vírus HIV e, desde então, o Brasil exclui a contribuição de homossexuais que tenham tido relações até o prazo de 12 meses. No entanto, a orientação sexual não pode ser o critério de seleção, uma vez que reforça estereótipos e preconceitos, mas sim a condição de saúde dos indivíduos, visto que heterossexuais também são acometidos por DST’s.

Portanto, objetivando minimizar os obstáculos para a doação de sangue no Brasil, é necessário que o Ministério da saúde em parceria com o Ministério da Educação empreenda projetos voltados para a reflexão crítica de estímulo à solidariedade e ao exercício da cidadania aplicada a doação de sangue,  como palestras elucidativas nas escolas, de maneira que a população torne-se consciente e conceitos sejam desmistificados, a fim de aumentar os doadores. Ademais, o Governo em parceria com a OMS, deve alterar as leis que excluem os homossexuais da doação e investir em aparatos tecnológicos que averiguem a qualidade do sangue dos doadores, objetivando maior participação popular voluntária e igualdade de direitos.