Obstáculos para a doação de sangue no Brasil
Enviada em 02/09/2018
A doação de sangue consiste na retirada voluntária deste tecido para sua utilização por outro indivíduo, um ato que possui grande importância para salvar vidas. Embora o Ministério da Saúde (MS) alegue que o Brasil doa relativamente o suficiente, sem falta ou excesso, o atual aumento da violência e das complexabilidades cirúrgicas tem elevado também a demanda da necessidade de sangue. De tal modo, o Brasil ainda enfrenta obstáculos para a doação sanguínea, como a falta de instrução da população e as restrições aos homossexuais.
Comumente, a carência de informações acerca do processo de doação de sangue tende a limitar tal ato. Ainda que sejam promovidas campanhas midiáticas sobre a importância de doar sangue, como recentemente têm sido exibidas pela Rede Globo, os brasileiros ainda são cercados por um déficit de conhecimento sobre as exigências e ausências de riscos desse processo, o que acarreta em mitos e reduz o número de doadores. Assim, sob a perspectiva sociológica de Kant, em que o homem é o retrato da educação que adquire, nota-se que essa falta de instrução à população afeta diretamente a coleta de sangue.
Além disso, as restrições à doação por homens homossexuais dificulta a elevação da taxa de doadores. As medidas de segurança exigidas pelo Ministério da Saúde, como a ausência de relações sexuais entre homens por um período de doze meses, visam evitar, principalmente, os riscos de contaminação por HIV. No entanto, essas normas podem ser vistas como discriminatórias, uma vez que, para os heterossexuais basta ter uma parceira fixa, enquanto a mesma regra é inválida para os gays mesmo com uso de preservativo. Logo, como argumentou o ativista LGBT, Welton Trindade, é levado em conta a identidade sexual e não o comportamento de risco, o que delimita as doações.
Portanto, a fim de reduzir os obstáculos quanto à doação de sangue no Brasil, é essencial que a população receba esforços educacionais acerca da coleta sanguínea, pela ação das escolas e do governo, mediante aulas, desde o ensino infantil, que tratem da importância da doação de sangue e como ocorre todo o processo, juntamente com campanhas públicas que explicitem as exigências e a segurança. Ademais, o MS poderia substituir a restrição dos doze meses aos homossexuais por avaliações de menor prazo, através de exames rigorosos ao risco de HIV, tanto do doador quanto do parceiro fixo, visando, assim, aumentar a taxa de doação atual.