Obstáculos para a doação de sangue no Brasil
Enviada em 01/09/2018
Com início no Brasil em meados de 1920, a hemoterapia, a qual consiste no uso de sangue humano para fins médicos, surge como uma importante alternativa no tratamento de diversas doenças. Contudo, apesar de evoluções nas ciências médicas nos últimos cem anos, a doação de sangue ainda é considerada, conforme dados da ONU, como baixa no Brasil. Nesse contexto, deve-se analisar como fatores históricos e restrições sexuais atuam na problemática em questão.
A priori, deve-se discutir a atuação de questões culturais na questão. Ao contrário de países como Japão e EUA, o Brasil ainda não presenciou situações de catástrofes naturais em grandes proporções ou períodos de guerra, os quais podem ser responsáveis pela compreensão, por parte da população, da importância da doação de sangue. Dados da Organização Mundial de Saúde apontam que em países desenvolvidos, como EUA e Japão, a doação de sangue é nove vezes maior que no Brasil.
A posteriori, pode-se analisar como restrições de cunho sexual atuam sobre a questão. Conforme normas do Ministério da Saúde, homens que tenham mantido relações sexuais com outros homens são considerados inaptos à doação de sangue pelo período de um ano. Tal norma, além de revelar um caráter discriminatório, é responsável por uma diminuição nos números de doações. Dados da ONG internacional Wasted Blood informam que, diariamente, cerca de dez mil homens deixam de doar sangue no Brasil devido a tal restrição.
Torna-se evidente, portanto, que tanto fatores culturais quanto restrições institucionais são fatores que influenciam a problemática. Nesse contexto, cabe ao Poder Executivo, por meio do Ministério da Saúde, a criação de campanhas de conscientização sobre a doação de sangue em escolas publicas e privadas, a fim de formar crianças e adolescentes conscientes quanto a necessidade de tal ato, garantindo, assim, adultos doadores no futuro. É papel do Poder Legislativo, por meio do Congresso Nacional, uma lei que normatize a doação de sangue por parte da população LGBT sem a necessidade do período de espera de 12 meses. Dessa forma, será possível promover tanto a inclusão social de tal população, quanto um aumento no número de doações de hemocomponentes em todo o país, proporcionando, assim, a disponibilidade ideal de hemoderivados para a demanda populacional nacional.