Obstáculos para a doação de sangue no Brasil
Enviada em 03/09/2018
A democratização da salvação
Desde o Iluminismo, entende-se que uma sociedade só progride quando o altruísmo se torna prioritário nas relações sociais. No entanto, quando se observa os obstáculos para a doação de sangue no Brasil, hodiernamente, verifica-se que esse ideal iluminista não é constatado na prática e, por conseguinte, a problemática persiste intrinsecamente ligada à realidade nacional, seja pela desinformação por parte da população acerca do processo de doação, seja pela presença de obstáculos que impedem os homossexuais de exercer tal alteridade.
Segundo o filósofo Paulo Freire, o ensino cria bases para tornar a sociedade mais colaborativa para com as suas adversidades. Entretanto, é indubitável que a questão educacional e sua má aplicação estejam entre as causas do problema visto que é escassa a veiculação de campanhas publicitárias ou projetos educacionais que popularizem informações úteis ao processo de doação de sangue, como locais de coleta, funcionamento do processo e sua importância para o tratamento de enfermidades. Por conseguinte, a sociedade não se sensibiliza com o baixo número de doadores, algo que corrobora com a atual adversidade.
Outrossim, denota-se que tal problemática possui origens na homofobia enraizada no contexto social. Segundo o sociólogo Émile Durkheim, o fato social é um fenômeno caracterizado por ações e pensamentos coercitivos ao individuo. Analogamente, infere-se que o cidadão desenvolvido em um meio de preconceitos quanto aos homossexuais, vistos por grande parte da população como disseminadores de doenças, tende a adotar essa visão na conjuntura de temas nacionais. Assim, o reflexo de tais posturas coercitivas se caracteriza por ações como o impedimento da doação de sangue, que utiliza como critério a orientação sexual, e não a condição de saúde dos indivíduos.
Portanto, o combate ao obstáculos sociais que interferem na doação de sangue, deve se tornar efetivo, uma vez que impede que milhares de vidas sejam salvas. Sendo assim, o Ministério da Saúde, deve investir em aparatos tecnológicos, por meio de incentivos financeiros, que controlem com maior rigor os grupos sanguíneos, para detectar portadores de alguma doença e averiguar a qualidade do sangue, de forma que não mais a orientação sexual do doador seja um critério a ser avaliado, mas sim sua real condição de saúde, democratizando as oportunidades de doação. Além disso, é fundamental que instituições sociais, como ONGs, por meio de publicidades – a exemplo de propagandas televisivas e “outdoors” – promovam a conscientização sobre a importância da doação, visando incentivar o processo. Logo, somente assim se construirá gigantescas melhorias na sociedade brasileira.