Obstáculos para a doação de sangue no Brasil
Enviada em 01/09/2018
Segundo o sociólogo Max Weber, a sociedade é explicada pelo conjunto de ações sociais que compreendem o modo de agir de cada indivíduo, exercendo influência direta na coletividade. Nesse sentido, as dificuldades enfrentadas pela doação de sangue, no Brasil, estão relacionadas ao comportamento de cada cidadão como doador, o que influi, diretamente, no estoque para os receptores. O fato de esse ser reduzido, no país, é explicado pela desinformação da população sobre como se dá o processo, além de essa atitude ser historicamente negligenciada.
Em uma primeira análise, é comum a propagação de informações errôneas acerca dos efeitos da doação de sangue no bem estar do doador, como a de que o procedimento leva à perda de peso ou pode ocasionar infecções. Isso se explica pela distância entre o senso comum e as questões de saúde no país, que se manifesta em diversas outras situações, como no efeito de um medicamento no organismo humano. Nesse contexto, o filósofo grego Aristóteles defende a importância dos chamados “médicos dos homens livres”, aqueles que explicam o efeito direto de substâncias e operações no corpo para seus pacientes. Seguindo esse pensamento, os profissionais, no Brasil, seriam “médicos de escravos”, já que não o fazem, deixando o povo desinformado quanto aos diversos aspectos desse tema.
Além disso, a negligência no tocante à doação de sangue tornou-se, no país, comum em uma análise temporal. Tal fenômeno, se interpretado a partir da perspectiva sociológica de Weber, se aproximaria do conceito de ação tradicional, já que não doar se configura como uma ação como para brasileiros de diferentes gerações. Dessa forma, para mudar esse cenário, é necessário que doadores se voluntariem, o que caracteriza uma ação racional orientada a fins.
Portanto, a doação de sangue depende da iniciativa individual de se praticar esse ato, aliada à conscientização da população quanto aos “mitos” relativos a supostos riscos desse procedimento. Logo, as redes sociais devem garantir que o senso comum deixe de ser influenciado por informações errôneas, por meio de aplicativos que amparem o acesso da população à explicação de como se dá o processo, porque o meio digital promove mais rápida circulação de dados, a fim de transformar a doação em uma atitude amplamente conhecida e, assim, realizada mais comumente.