Obstáculos para a doação de sangue no Brasil
Enviada em 03/09/2018
Jean-Paul Sartre, representante do existencialismo, pontuou: “a violência, seja qual for a maneira como ela se manifesta, é sempre uma derrota”. Nesse sentido, uma das derrotas mais debatidas, na contemporaneidade brasileira, é sobre os obstáculos sofridos para doar sangue. Frente a provectos fatores histórico-sociais e o rompimento do Imperativo Categórico, o impasse, de caráter retrógrado e inercial, instala-se.
É indubitável que essa problemática não teve princípio hoje, já que no período medieval, por questões religiosas, mexer com o corpo humano era considerado um tabu. Por conseguinte, períodos se passaram e acompanhado a isso, vieram as descobertas da ciência médica, superando assim os “pecados” medievais. No entanto, por conta de uma administração política falha nos direitos que se dizem igualitários, faz com que, hoje, não seja raro ver a segregação social nos ambientes hospitalares, onde as estruturas e os equipamentos não se encontram em um bom estado, o que propicia uma diminuição da confiança na saúde pública brasileira, proporcionando, inclusive, medo na retirada do sangue.
Ao analisar o tema, vê-se que ativismos nas redes sociais, que lutam em prol do aumento de doadores sanguíneos, já minimizou diversas derrotas. Entretanto, o Imperativo Categórico do filósofo Immanuel Kant, “age de tal modo que tu possas querer que a tua ação se torne uma lei universal de conduta”, está tendo os valores corrompidos no âmbito social. Isso se deve, em razão do egocentrismo humano de indivíduos, que por pensarem apenas em si, não se preocupam em ser empáticos doando sangue para aquelas pessoas que necessitam, sendo assim, acabam por não deixarem leis universais de condutas.
É evidente, portanto, as dificuldades para a doação de sangue no Brasil. Através disso, a aplicação de forças que impeçam o percurso de uma cultura retrógrada é imprescindível. Diante disso, o Ministério Público, por meio da Receita Federal, deve investir de forma justa, de modo a atender as demandas hospitalares. Paralelo a essa medida, é dever da mídia e das instituições educacionais, por meio de palestras e debates, encorajarem a sociedade a ser solidária na doação de sangue, no intuito de atenuar o homem egocêntrico. Tudo isso, a fim de evitar ignorâncias contraproducentes.