Obstáculos para a doação de sangue no Brasil
Enviada em 02/09/2018
Em diversos países, milhares de mortes são evitadas através de atos voluntários como a doação de sangue. A Organização das Nações Unidas (ONU), recomenda um percentual entre 3% e 5% de doadores sanguíneos, no entanto, no Brasil, o índice é de apenas 1,8%, segundo informações do Ministério da Saúde. Nesse contexto, é importante um maior envolvimento popular e, para isso, torna-se necessário analisar como a ineficiência estatal e o individualismo provocam os casos de tal problemática.
Em primeira análise, cabe pontuar que a omissão do governo diante dos assuntos relacionados aos problemas de saúde da população nutre caminhos para a formação de uma sociedade desequilibrada. Tal displicência se deve ao fato de que os interesses políticos e particulares estão acima dos interesses públicos, confrontando, portanto, com o pensamento do filósofo Nicolau Maquiavel, o qual afirma que o interesse particular não faz a grandeza dos Estados, mas, sim, o interesse coletivo. Desse modo, é possível observar que para alcançar o bem-estar social é necessário que o governo atue com alta eficácia de maneira a incentivar e propagar a doação de sangue entre a nação.
Paralelamente, o individualismo no qual a sociedade está inserida também contribui com a problemática. Segundo o sociólogo Zygmunt Bauman, na pós modernidade, as pessoas buscam não se envolver nas relações interpessoais que desenvolvem ao longo da vida. Com isso, o individualismo é potencializado e, consequentemente, a população não se solidarializa com o problema do outro, o que faz com que a participação direta em causas sociais e voluntárias, como a doação sanguínea, seja inferior a recomendada pela ONU.
Portanto, torna-se evidente que intervenções sejam realizadas com o objetivo de atenuar a problemática. Cabe ao Ministério da Saúde, em parceria com ONGs, ampliar a divulgação de campanhas televisivas em canais abertos, com enfoque na importância de da doação de sangue para a sociedade, a fim de elevar o número de voluntários regulares e, por conseguinte, salvar uma maior quantidade de vidas. Além disso, o Ministério da Educação deve fortaleçer a educação básica nas escolas, através da inclusão de disciplinas como ética e cidadania, de maneira a promover a solidariedade desde a infância para que no futuro esses cidadãos se sensibilizem e se envolvam com uma maior participação nas causas sociais e voluntárias.