Obstáculos para a doação de sangue no Brasil

Enviada em 02/09/2018

Após a criação da primeira faculdade de medicina brasileira, durante o governo de Dom João VI, surgiram diversos procedimento clínicos, como a transfusão sanguínea, que possibilitaram salvar a vida de milhares de pessoas. Contudo, embora tenham ocorrido vários avanços ao longo dos anos, o processo de doação de sangue ainda sofre empecilhos no Brasil contemporâneo. Nesse contexto, deve-se analisar como o Estado e a comunidade causam tal problema a fim de combatê-lo.

Em primeiro lugar, é notório o papel do poder público no que tange à manutenção de entraves na doação sanguínea. Isso se deve às restrições legais estabelecidas pelo Ministério da Saúde, que proíbem a contribuição de homens que tiveram relações sexuais homoafetivas recentemente. Tal limitação, consoante o cientista Drauzio Varella, é baseada em parâmetros ultrapassados que revelam o preconceito ainda enraizado na sociedade brasileira. Por conseguinte, há uma redução do número de contribuintes nos hemocentros, tornando o Brasil, segundo pesquisas da Organização das Nações Unidas, o menor doador de sangue da América Latina.

Além disso, nota-se, ainda, que a postura da sociedade também contribui para a retração das doações de sangue. Isso está relacionado à postura individualista e egocêntrica da população que, apesar de ter acesso constantemente a informações sobre o processo de doação pelos órgãos midiáticos, ignora a importância do assunto e costuma pensar apenas em si mesmo. Tal condição é contrária à teoria hegeliana de que a consciência é a única capaz de gerar mudanças sociais e, consequentemente, a saúde pública brasileira é prejudicada. Indivíduos que necessitam de transplantes, por exemplo, carecem urgentemente da empatia e doação sanguínea da população.       Torna-se evidente, portanto, a iminência em cessar a problemática. Em razão disso, o Poder Legislativo deve reduzir as barreiras no processo de doação de sangue, através de revisões e alterações na legislação vigente, com o fito de mitigar preconceitos e elevar o número de doadores nos hemocentros. Ademais, o Ministério da Educação deve reformular o ensino infantil, fundamental e médio, por meio da inserção de novas disciplinas, como Saúde e Cidadania, com o intuito de criar indivíduos empáticos e solidários. Dessa forma, será possível alcançar a mudança social preconizada por Hegel.