Obstáculos para a doação de sangue no Brasil
Enviada em 02/09/2018
A Magna Carta brasileira, de 1988, garante a saúde como direito de todos e dever do Estado. No entanto, a prática deturpa a teoria, uma vez que tornou-se recorrente a falta de sangue nos hemocentros. Nessa perspectiva, deve-se analisar como a insuficiência Estatal e a deficiência na educação brasileira contribuem à problemática em questão.
Antes de tudo, é necessário constatar como a inoperância do Estado com políticas públicas que visem o envelhecimento da população, ratifica a necessidade de maior arrecadação de sangue. Embora, o Brasil apresente o 8° PIB do mundo apenas 1,6% da população é doadora quando, segundo a ONU, o ideal seja 3 a 5% de doações. Destarte, o número de doadores em sua maioria são motivados por interesses individuais, ora para beneficiar um ente-querido, ora para ter o dia de folga. Logo, é imprescindível que seja internalizado nos indivíduos o ato da doação como cidadania.
Somado a isso, o excesso de informações restritas de orientações, como a importância e ato social e contínuo das doações, propiciam a ignorância da sociedade. Dessa forma, quando o filosofo Lev Vygotsky afirma que a escola não deve se distanciar dos aspectos da vida social de seus participantes, corrobora-se a primordialidade de eixos como a responsabilidade social no ensino básico. Todavia, a educação brasileira não introduz ações pedagógicas que reflitam sobre a empatia e a visão crítica da contribuição sanguínea.
Torna-se, portanto, necessária a extinção dos obstáculos para doação de sangue. Em razão disso, o Ministério da saúde, em parceria com a Receita Federal, deve disponibilizar verbas para equipamentos e tecnologias nos hemocentros assim como a contratação de profissionais capacitados nos postos de saúde. Paralelamente, convém ao Ministério da Educação na instrução de professores, por meio de palestras e canais educativos, a fim mentalizar nos jovens o ideal de cidadania.