Obstáculos para a doação de sangue no Brasil
Enviada em 01/09/2018
A evolução científica no campo da saúde consiste em quebra constante de paradigmas que se colocam como obstáculos para seu desenvolvimento. Diante disso, a doação de sangue, como parte integrante desse campo, também deve derrubar as muretas do atraso e seguir avançando com seu objetivo de atrair mais doadores e, consequentemente, salvar vidas que necessitam desse serviço. Porém, no Brasil, a falta de informação e o preconceito vigente são exemplos dessas barreiras que impedem um maior sucesso da doação sanguínea.
No processo histórico da sociedade é recorrente o conhecimento ser uma fonte libertadora das amarras da estagnação de certo desenvolvimento. A Alegoria da Caverna, descrita por Platão, metaforiza bem essa ideia a partir do momento que um indivíduo se livra das correntes sombria do desconhecimento e alcança o mundo iluminado das verdades. Ao trazer esse raciocínio para a questão de doação de sangue no Brasil, percebe-se que o estoque de sangue no país poderia ser muito maior se as pessoas não tivessem o receio de doar pela simples ausência de uma informação mais difundida do assunto. Perda de peso, adquirir doenças, coagulação sanguínea, entre outros são alguns motivos, erroneamente, associados ao impedimento de um significativo aumento de sangue disponível para doação.
Atrelado à falta de informação encontra-se o preconceito ainda muito enraizado na nossa sociedade. Por muito tempo, homens que se relacionavam sexualmente com outros homens foram impedidos de doar sangue. Atualmente, no Brasil, o Ministério da Saúde exige uma abstinência sexual desses indivíduos de pelo menos 12 meses. Entretanto, esse prazo - que já pode ser contestado - não é levado em consideração na realidade dos hemocentros e a maioria deles tem sua doação sanguínea recusada nesses centros coletores. Diante dessa realidade, o impacto é bem significativo no estoque de sangue brasileiro, pois um pouco mais de 10% da população masculina é homo ou bissexual. Sendo assim, é evidente que pessoas necessitadas sentem esse desfalque sanguíneo.
Diante do contexto apresentado, medidas devem ser tomadas para efetivar o aumento da doação de sangue no país. Diferente do homem da caverna idealizado por Platão, as amarras da caverna sombria não irão simplesmente se soltar, é necessário que o Ministério da Saúde invista pesado em divulgação de informações, crie cartilhas a serem espalhadas em todo território nacional com os predicativos e a quebra dos mitos da doação sanguínea. Também faz-se necessário que o Ministério Público atue nos hemocentros, com a presença de agentes nas unidades, no intuito de fiscalizar a oferta da doação de sangue por parte das pessoas homo ou bissexuais e tente eliminar o preconceito.