Obstáculos para a doação de sangue no Brasil
Enviada em 01/09/2018
Quando se fala em doação de sangue, remonta-se a meados dos anos 80 quando a epidemia de AIDS que assolou o país matou centenas. Hodiernamente, esse passado ainda alimenta ideais discriminatórios contra homossexuais que ainda passam por burocracias de caráter duvidoso na doação. Ademais, outros tabus acerca do tema também causam receio na população. Nesse contexto, faz-se necessária a análise das perspectivas sociais e educacionais que ilustram o cenário.
Em primeiro estudo, enfatiza-se a questão da cidadania que ganha representatividade durante a doação, não só pela empatia pelo próximo, mas também pela contribuição à melhoria do sistema de saúde. Com efeito, a população é protagonista neste momento, pois está colaborando para que a coletividade mantenha-se em harmônia. Entretanto, de acordo com o Ministério da Saúde, somente 1,8% da população brasileira doa com frequência durante o ano, o que é bastante, porém, não é suficiente. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS) o ideal seria que algo entre 3% a 5% doasse periodicamente para que não houvesse insuficiência no Sistema Único de Saúde (SUS). Ademais, doar sangue representa, sobretudo, um ato de amor pelo próximo, visto que diariamente indivíduos necessitam desse sangue, fatores como a violência urbana colaboram para esse fato.
Outrossim, estudo do Datafolha, realizado em 2017, determinou que o perfil do doador configura-se como sendo homens entre 25 e 44 anos e pessoas mais instruídas. Logo, corrobora-se a necessidade da inclusão de mulheres e homossexuais nesse processo com ações educativas. Um dos fatores que pode explicar o diminuto números de mulheres é o fato de que só podem doar no máximo 3 vezes, ao passo que o sexo oposto pode doar 4 ao ano. Contudo, como afirmado anteriormente, a educação também influencia. Atrelado a isso, 18,9 milhões de litros de sangue são desperdiçados anualmente pelo fato de que homossexuais não podem doar se tiverem mantido relações durante os 12 meses anteriores à doação. Todavia, há exames que podem dar um parecer da saúde do paciente em menos de um mês. Com isso, pode ser notado um caráter preconceituoso na decisão do Governo.
Entende-se, portanto, que medidas devem ser tomadas. Destarte, o MEC deve investir em campanhas que exemplifiquem a importância da doação e esclareça os principais mitos que rondam a questão. Tal iniciativa poderá ser propagada por meio propagandas por meio dos meios midiáticos mais utilizados, como TV e rádio. Na internet, poderão ser utilizados os canais de comunicação do Governo, criando cartazes virtuais. Paralelo a essa medida, o Senado deverá permitir que homossexuais possam doar, devendo por restrições somente a homens que apresentarem mais de um parceiro durante o ano. Como também, oferecer subsídios para que mulheres doem, como vales-transporte e alimentação.