Obstáculos para a doação de sangue no Brasil

Enviada em 01/09/2018

Em seu romance “Modernidade Líquida”, Zygmunt Bauman discorre acerca do individualismo e da indiferença no homem hodierno. Semelhantemente, essa postura é perceptível, principalmente, no tocante à doação de sangue. Fato esse justificado pelo estigma ao homossexual, bem como pela carência de informações sobre as doações. Nesse sentido, é pertinente buscar meios de superar essa realidade.

Em primeiro lugar, convém destacar os obstáculos no que se refere da doação de sangue por homossexuais. Segundo o filósofo Niezstche em sua Teoria do Super Homem, o homem superior seria aquele capaz de libertar-se das amarras sociais de seu tempo. Porém, na prática, o indivíduo hodierno parece ir contra essa lógica, uma vez que é preconceituoso quanto a homossexualidade. Isso se deve, pela categorização da Organização Mundial da Saúde (OMS) aos cidadãos que mantém relação homoafetiva como “grupo de risco”, pois, nos anos 80 ocorrera o auge da epidemia do vírus HIV. Contudo, tal designação é imprópria para critério de seleção, uma vez que a Aids pode ser contraída até por heterossexuais.

Por outro lado, o desconhecimento sobre a transfusão sanguínea agravam a situação. Sob a ótica kantiana, o Imperativo Categórico Universal estabelece agir eticamente sem olhar a quem de tal maneira a universalizar essa ação aos demais. Isto é, executar aquilo na ordem da razão e boa vontade. No entanto, o desconhecimento sobre a importância de se doar sangue faz com que muitos quebrem essa conduta de solidariedade  e sejam responsáveis pela redução no número de doações.

Infere-se, portanto, que o ato de doar em questão no Brasil é preocupante. Por isso, é necessário que o Ministério da Saúde em parceria com os hemocentros mobilizem ativamente campanhas para incentivar e fidelizar cada vez mais doadores voluntários. Ademais, é pertinente que o governo em conjunto com a OMS alterem a lei que excluem os homossexuais da doação, bem como invista mais no controle da qualidade sanguínea a fim de aumentar o número de transfusões no país e assim mitigar o preconceito vigente. Só assim, poder-se-á verificar uma sociedade mais empática e sólida em suas convicções em prol do bem-estar geral.