Obstáculos para a doação de sangue no Brasil
Enviada em 03/09/2018
“Muitas vezes uma pequena oferta produz grandes efeitos” disse Séneca, filósofo da Roma Antiga. Essa é a ideia que os órgãos de saúde tentam passar, mesmo que de forma desintencional, quando se trata de doação de sangue no Brasil, considerando que apenas um doador é capaz de salvar até quatro vidas. Porém, a solidariedade do povo brasileiro, conhecida mundialmente, é deixada um pouco de lado quando se trata de doação sanguínea. Os motivos que levam a isso são os mais diversos possíveis e requerem medidas eficientes para evitar prejuízos futuros em procedimentos médicos.
Primeiramente, é importante ressaltar que o Brasil não sofreu com extensas catástrofes naturais ou grandes guerras ao longo de sua história e, segundo Júnia Guimarães Mourão -presidente da Fundação Hemominas, o aspecto cultural tem influência direta na quantidade sangue doado. Sendo assim, a ausência situações de saúde pública emergenciais interferiu na percepção social brasileira da importância de se doar sangue. O que é refletido pelos dados da Organização das Nações Unidas-ONU- em que Estados Unidos e Japão, países que já foram atingidos por grandes guerras e desastres naturais, aparecem dentro do parâmetro ideal de 3 a 5% da população ser doadora de sangue e o Brasil apresenta apenas 1,8% da mesma.
Ademais, além do fator histórico-cultural é necessário atentar-se para os diversos “mitos” que cercam o ato de doar sangue. De acordo com o Ministério da Saúde, há pessoas que pensam que vão engordar, outras acham que o corpo fica viciado tendo a necessidade de doar sempre e, algumas ainda têm consigo a ideia de que o procedimento as expõe ao risco de contrair doenças infecciosas ou até mesmo que ter parte do sangue retirado pode trazer algum dano ao seu organismo quando, na verdade, é retirado apenas cerca de 10 a 15% do volume total de sangue do corpo. Isso explicita a necessidade de, além de conscientizar a sociedade a se tornar doadora, desmistificar o procedimento.
Portanto, fica clara a importância de tomar medidas a fim de manter os estoques de sangue em um nível ideal. Para isso, é necessário construir na sociedade um caráter solidário através de palestras e debates, financiados pelos Ministérios da Saúde e da Educação, tanto em escolas como em postos de saúde. Assim, mesmo não tendo vivenciado circunstâncias onde há uma demanda nacional intensa de bolsas de sangue, a população terá consciência da importância de ser doador. Ademais, esses debates e essas palestras também teriam uma função essencial na desmistificação do processo em si, tranquilizando as pessoas, o que aumentaria significativamente o número de doadores.