Obstáculos para a doação de sangue no Brasil
Enviada em 02/09/2018
O período da Revolução Técnico-científico-informacional foi marcado por diversas inovações em decorrência da globalização, especialmente no ramo da medicina. Na pós-modernidade, os avanços influenciaram em uma maior facilidade para o tratamento e curas de enfermidades, precipuamente as que necessitam de doações sanguíneas. No entanto, a doação de sangue no Brasil é ínfima, visto que a falta de informações e de incentivo familiar, corroboram a desvalorização de atitudes solidárias e, consequentemente a pouquidade de estoques em hemocentros. Com efeito, evidencia-se a necessidade de desenvolver melhorias que mitiguem tal problemática.
Deve-se pontuar, de início que a precariedade de informações faz com que a sociedade fique com receio da prática de doar sangue, haja vista que alguns indivíduos acreditam que este ato poderá ocasionar riscos a saúde;além da desconfiança do sistema de saúde pública, fatores estes que acarretam dificuldades para manter os hemocentros e, por conseguinte, causa o aumento constante de óbitos. Desse modo, é notório que um ato de empatia pode salvar vidas, ao seguir essa linha de pensamento Franz Kafka disserta, “a solidariedade é o sentimento que melhor expressa o respeito pela dignidade humana”.
Outrossim, a prática da doação de sangue é um ato de cidadania perpassado de geração a geração. Analogamente ao pensamento de Durkheim, o fato social é uma maneira coletiva de agir e pensa, dotada de coercitividade, exterioridade e generalidade. Dessa forma, um indivíduo que vive em um ambiente familiar que tem a prática de doar sangue, este tende a adotar tal costume, em virtude da convivência em grupo. Entretanto, é sabido que nos tempos hipermodernos, conforme Gilles Lipovetsky, ocorreu a diminuição das ações coletivas, aumentando, assim, o individualismo e a falta de empatia.
Infere-se, portanto, que a doação de sangue é sinônimo de amor ao próximo, por esse motivo necessita ser vista similarmente a teoria do “Hábito” de Bourdieu. Sendo assim, o Ministério da Saúde deve implementar campanhas de incentivo a doação, além de desmistificar os mitos relacionados a este ato. Ademais, concerne a famílias juntamente com as escolas ensinarem desde o princípio a maturação de traços empáticos, por intermédio do aumento da carga horária do ensino filosófico, a fim de mitigar as dificuldades para doação de sangue. Assim, poder-se-á transformar uma sociedade mais ética e solidária e garantir o exercício de cidadania.