Obstáculos para a doação de sangue no Brasil

Enviada em 02/09/2018

De acordo com Nelson Mandela, ser pela liberdade não é apenas tirar as correntes de alguém, mas viver de forma que melhore e respeite o modo de vida dos outros. Todavia, o Brasil ainda não conseguiu desprender-se das amarras de uma sociedade desrespeitosa. Conjuntura explicitada por meio dos baixos índices de doação sanguínea. Isso se evidencia, principalmente, devido às questões culturais.

Doar sangue, no século XXI, tornou-se rápido e fácil, não oferecendo perigo para a vida do doador. Muitas bolsas são utilizadas em tratamentos de portadores de hemofilia - herança genética recessiva do cromossomo X -, de anemia profunda, ou em acidentes graves de trânsito. Portanto, além de não ser custoso, é de extrema importância.

Contudo, apenas 1,8% da população brasileira (207 milhões) - segundo o G1 - é doadora. Tal cenário lamentável pode ser justificado pelo fato que essa ação não é vista como uma prática de cidadania, comum em países que já passaram por algum abalo social. A Somália, por exemplo, teve seus estoques abastecidos após traumáticos atentados terroristas em 2017. Já no Brasil, muitos cidadãos conscientizam-se apenas quando conhecidos estão em situações críticas. Dessa forma, nota-se uma carência empática.

Infere-se, portanto, que para os preceitos de Mandela serem cumpridos, compete a intervenção do Estado aliado ao Ministério da Saúde. É preciso que a prática da doação seja habitual, assim como a vacinação. De início, algumas camadas sociais podem descontentar-se, bem como aconteceu em 1904, na Revolta da Vacina. Mas é preciso prosseguir por meio de um programa, o qual o indivíduo possuiria uma carteira de doação. Caso não tenha atingido um mínimo, mesmo sendo um potencial doador, a pessoa seria multada. Tais ações visam reduzir os índices de mortes por causa da carência de transfusão sanguínea. Analogamente como aconteceu com as  campanhas de vacinação, as quais foram responsáveis por erradicar doenças como a poliomielite, sarampo e rubéola, no século XX.