Obstáculos para a doação de sangue no Brasil
Enviada em 02/09/2018
O escritor Franz Kafka diz que a solidariedade é o sentimento que melhor expressa o respeito pela dignidade humana, sendo assim, doar sangue é um ato de solidariedade de uma pessoa perante a outra, com o objetivo de fazer a diferença e mudar a vida de alguém. Porém, no Brasil, esses atos solidários são raros, uma vez que essa atividade sofre com a desmotivação da população e a falta de uma boa informação a respeito da doação, dificultando esse processo cada vez mais.
Em primeiro plano, pode-se analisar que conforme o estudo feito pela BCC, a cada 10 doadores 6 são voluntários, deixando claro que são poucas pessoas que fazem esse ato de solidariedade ao próximo. Além disso, as campanhas de publicidade vem se mostrando ineficientes, e a falta de engajamento com problemas sociais é um dos principais limitadores, influenciando na falta de interesse da população. Esses fatores ocorrem, muitas vezes, porque nas escolas brasileiras não há um incentivo à discussão de assuntos que visem o bem estar social e o olhar empático, de modo que os indivíduos cresçam compreendendo a importância de doar. Em decorrência dessa escassez, uma grande parte da população acaba não se importando se há quem precise de transfusão sanguínea, ou então cedem seu sangue com o intuito de receber vantagens como ganhar um dia de folga.
Outro fator relevante concerne à falta de informação sobre o processo de doação, que também se torna responsável pelos baixos índices de doadores. A Revolta da Vacina ficou marcada por ser um período de resistência à vacinação obrigatória devido à falta de informação sobre a necessidade do procedimento. Atualmente, esse problema se arrasta, trazendo consigo diversos mitos que prejudicam o ato solidário, em função da falta de campanhas eficientes e esclarecedoras a respeito desse assunto. Diversas pessoas, por exemplo, acreditam que podem contrair alguma doença infecciosa durante a coleta. Além disso, nos pré-requisitos para doação, dentre as proibições existentes, é notório um descuido preconceituoso ao proibir homossexuais de doarem sangue, se entre um período de um ano mantiverem relações sexuais. Dessa maneira, é ressuscitado um mito discriminatório, onde DSTs acometem somente homossexuais, o que ofende a dignidade da pessoa humana.
Portanto, medidas são necessárias para resolver o impasse. O Ministério da Saúde, juntamente com a mídia televisiva, deve investir em campanhas publicitárias que enfatizem a importância da doação de sangue e estimulem cidadãos a exercerem sua solidariedade, além de trazerem informações esclarecedoras. Ademais, o Governo, junto com a OMS, deveria investir em tecnologias eficientes que garantam a qualidade do sangue. Dessa maneira, o número de doadores voluntários cresceria e a transfusão de sangue, no Brasil, deixaria de ser um obstáculo social.