Obstáculos para a doação de sangue no Brasil
Enviada em 02/09/2018
Na obra “Drácula”, o autor Bram Stoker retrata a história de Conde Drácula, um vampiro que precisa constantemente beber sangue para sobreviver. Fora da ficção, com o avanço da medicina, principalmente durante a Segunda Guerra Mundial, iniciada no ano de 1939, sabe-se hoje a importância do sangue para o homem e que este fluido pode ser compartilhado. Todavia, infelizmente, a doação de sangue no Brasil sofre impasses, como o baixo índice de doações. Nesse contexto, deve-se analisar a desinformação da população e a questão da doação por homossexuais.
Primeiramente, cabe pontuar que a sociedade brasileira é bastante desinformada sobre a importância da doação de sangue e como se tornar um doador, fato este que está ligado a falha educacional. Desse modo, A. Schopenhauer afirma que os limites do campo de visão de uma pessoa determinam seu entendimento a respeito do mundo que a cerca. Por conseguinte, o desinteresse da sociedade pela doação de sangue é consequência de uma educação básica deficitária que pouco prepara os cidadãos no que tange a importância da temática abordada. Assim, as pessoas devem compreender como se tornar um doador e que esse ato salva vidas.
Em segunda análise, convém frisar que a doação de sangue por homossexuais no Brasil ainda é tratada de forma antiquada e errônea. Comprova-se isso pelo prazo de abstinência sexual exigido para que um homem homossexual possa doar sangue, no qual deve passar 12 meses sem praticar o ato sexual com o parceiro. Diante disso, vê-se que o homossexual é tratado como grupo de risco meramente por sua orientação sexual e não somente pela analise de comportamento de risco. Nesse sentido, o Ministério da Saúde afirma que apenas 1,8% da população brasileira doa sangue e que segundo a ONU o ideal é que essa porcentagem esteja entre 3% a 5%. Posto isso, a desburocratização da doação pelo público LGBT pode ser favorável para o aumento de doações.
À vista disso, medidas devem ser tomadas para atenuar os obstáculos para a doação de sangue no país. É imprescindível que o Ministério da Educação promova, nas escolas públicas e privadas, campanhas e palestras sobre a doação de sangue, para informar os estudantes sobre o ato e desmentir mitos, através filmes de curta metragem. Além disso, o Ministério da Saúde deve tomar como prioridade a desburocratização relacionada as doações sanguíneas por parte do público LGBT, levando em consideração o comportamento de risco do indivíduo e não somente a orientação sexual do mesmo, a fim de que todos os públicos tenham isonomia e que a porcentagem de doações possa se elevar. Sendo assim, o Brasil contará com uma sociedade informada e igualitária que vence os impasses atuais para a doação de sangue.