Obstáculos para a doação de sangue no Brasil

Enviada em 03/09/2018

De acordo com o Ministério da Saúde, apenas 1,8 da sociedade brasileira doa sangue regulamente. Embora a quantidade coletada anualmente seja considerada, pelo mesmo órgão, suficiente, o número de doadores é extremamente discrepante ao considerar-se a grande demanda de pacientes com essa necessidade. Tal problemática está intrinsecamente relacionada à realidade do país: seja pelo individualismo, seja pela falta de uma conduta mais ostensiva de certas instituições formadoras de opinião em prol de estimular essa enobrecedora ação social para salvaguardar vidas.

Vale salientar, de início, que o exacerbado individualismo impulsiona o escasso número de doadores de sangue no país. Isso pode ser explicado pela “Teoria da Modernidade Líquida” do sociólogo Zygmunt Bauman, o qual defende que as pessoas buscam não se envolver nas relações interpessoais que desenvolvem ao lango da vida. Assim, essa fragilidade nos laços afetivos potencializa o individualismo e a sensibilização dos indivíduos para tal gesto solidário. Isso inviabiliza, por exemplo, diversos processos da medicina, como tratamentos oncológicos, transplantes, os quais também necessitam de bolsas de sangue para serem efetivados.

Concomitante a essa dimensão social, é escassa a conscientização populacional acerca da responsabilidade de salvação de outras vidas a partir de uma atitude altruísta. Isso acontece poque muitas escolas, instituições que constituem juntamente com as famílias a essência da construção de princípios, não se verificam estímulos suficientes ao entendimento, por exemplo, de que ao doarem sangue não terão perigo de contrair doenças e até engordar ou emagrecer. Em consonância a esse fato, segundo  afirma o coordenador do hemocentro do Estado do Rio de Janeiro, Nauro Faria, a doação de sangue é cercada de mitos. Por consequência desse conhecimento, o ato de doar sangue torna-se cada vez mais distante da realidade dos brasileiros.

Torna-se evidente, portanto,  que a questão de doação de sangue no Brasil precisa ser revisada. Em razão disso, o Ministério da Saúde deve disseminar, nos meios de comunicação, propagandas que, além de incentivar a doar sangue, informem à população, principalmente da parcela que não dispõe de acesso á educação, como, de fato, é o processo de transfusão de sangue. Além disso, o Ministério da Educação, em parceria com as escolas, deve incluir a disciplina de ética e cidadania no currículo escolar nos ensinos infantil, fundamental e médio, com o intuito de desconstruir o individualismo já enraizado na sociedade e disseminar o hábito da empatia.