Obstáculos para a doação de sangue no Brasil

Enviada em 02/09/2018

É indubitável que ainda se faz presente inúmeros paradigmas referentes às definições atribuídas as doações de sangue.Diante desse quadro, a falta de informação atrelada ao individualismo acarreta em números menor que o recomendável pela Organização das Nações Unidas (entre 3% e 5%), visto que, de acordo com o Ministério da Saúde, menos de 2% da sociedade brasileira doa sangue regularmente.Nesse contexto, a negligência social deve ser analisada simultaneamente com a ausência de conhecimento acerca do tema.

Em primeiro plano, é possível observar que o individualismo exacerbado é o fator determinante pelo

escasso número de doadores do país.Segundo o sociólogo Zygmunt Bauman, na obra “Amor Líquido”, os indivíduos na pós-modernidade buscam não se envolver nas relações interpessoais.Assim, em decorrência dessa fragilidade nos laços afetivos, a população não se importa se há quem precise de transfusão sanguínea e como consequência, infelizmente, não contribui com o gesto de compaixão.

Concomitantemente a essa questão comportamental, quando o renomado educador Paulo Freire afirma que sem a educação a sociedade não muda, corrobora-se a necessidade de eixos como a saúde serem desenvolvidos no ensino básico.Contrariamente, a educação brasileira não introduz ações pedagógicas que reflitam sobre os impactos de mitos no que se refere aos cuidados com as enfermidades e omite a desconstrução de imaginários, como a ideia de que a orientação sexual pode influenciar e até mesmo a de que ao doar uma vez, precisará doar sempre.Destarte, cidadãos pouco críticos quanto à importância de suas ações sustentam o círculo caótico de discriminação e doenças.

Diante dos fatos supracitados, é crucial combater os mitos e atenuar o individualismo para resolver essa problemática.Logo, cabe ao Ministério da Educação desenvolver projetos nos centros de ensino que, por meio de trabalhos em grupos, palestras e debates com a comunidade, incentivem o senso crítico contra o egoísmo e a resistência, a fim de reduzir padrões inadequados.Ademais, o Ministério da Saúde deve disseminar, nos meios de comunicação, propagandas que além de promover a doação de sangue, informe a população como, de fato, ocorre o processo de transfusão e o modo que o ato pode mudar vidas, com a finalidade de alcançar a recomendação da ONU e minimizar a problemática.