Obstáculos para a doação de sangue no Brasil

Enviada em 03/09/2018

A felicidade, segundo a teoria utilitarista do filósofo Stuart Mill, é o bem almejado pela coletividade e, para tanto, a solidariedade é a ação ética mais adequada. Corroborando essa premissa, a doação de sangue é um ato humanitário importante ao fomento do bem comum. Contudo, o número de brasileiros aptos a entregar parte de seu líquido vital a terceiros é ínfimo, o que se explica por crenças equivocadas sobre eventuais malefícios à saúde e pela restrição preconceituosa de potenciais doadores.       Vale destacar, inicialmente, que mitos sobre suposta contaminação de doadores por doenças infectocontagiosas inibem o comparecimento aos hemocentros. Ilustra-se isso com dados do Ministério da Saúde, apontando apenas a adesão de 1,8% da população a esse gesto solidário. Contudo, a entrega sanguínea não provoca danos ao indivíduo que pratica essa louvável atitude, pois todos os materiais utilizados na coleta são materiais descartáveis e abertos na presença do doador.

Outrossim, é injustificável a existência de critérios preconceituosos de seleção de doadores de sangue sem amparo científico como algumas normas da Anvisa que impedem a participação de homossexuais. Tal atitude baseia-se no estereótipo de que tais pessoas são necessariamente portadores de doenças sexualmente transmissíveis (DST), sem comprovação por exames bioquímicos no concessor. Em função disso, o Brasil desconsidera boa parte de possíveis doadores, pois, segundo estudo da USP de 2009, em torno de 10% dos homens têm contato homoafetivo.

Para a nação superar, portanto, os entraves necessários a incrementar os estoques sanguíneos, devem as escolas promoverem o esclarecimento da comunidade, por meio de palestras com a participação de profissionais da saúde, buscando, assim, disseminar a informação entre os jovens estudantes, que serão agentes multiplicadores. Além disso, o postos de coleta devem realizar prévios exames de detecção de DST para permitir a doação sanguínea de todos, independentemente, de orientação sexual. Afinal, um maior engajamento solidário amplifica a eudaimonia do povo.