Obstáculos para a doação de sangue no Brasil

Enviada em 03/09/2018

“A solidariedade é o sentimento que melhor expressa o respeito pela dignidade humana”. Esse pensamento do tcheco Franz Kafka, considerado um dos principais escritores de literatura moderna, está absolutamente de acordo com ato de doar sangue, uma vez que, mesmo não sendo obrigatório, é importante para salvar vidas. Entretanto, no Brasil apenas 2% das pessoas são doadoras, estatística considerada inferior à proposta pela OMS que é de 3 a 5% da população. Nesse cenário, dentre os obstáculos para a doação de sangue no país, os mais relevantes são: a desinformação e o individualismo.

Convém ressaltar, a princípio, que a doação de sangue no Brasil ainda é cercada por mitos. Dessa maneira, mesmo com as campanhas anuais, há pessoas que acreditam que se doarem uma vez terão que doar sempre, que a doação de sangue engorda e pode transmitir doenças durante a coleta. Assim, a era da informação e o acesso fácil à internet não foram suficientes para superar esses estigmas, pois, a grande maioria dos cidadãos não buscam fontes confiáveis de informação para sanarem suas dúvidas. Logo, se a informação verdadeira não for ao encontro das pessoas, os bancos de sangue continuarão insuficientes.

Além disso, o sociólogo polonês Zygmunt Bauman defende, em sua obra “Modernidade Líquida”, que o individualismo é uma das principais características da pós-modernidade. Esse problema assume contornos específicos quando parcela da população desconhece ou ignora a importância da doação de sangue até precisar de uma transfusão ou quando a doação é feita apenas para familiares e conhecidos. Nessa perspectiva, a apatia e o individualismo divergem da solidariedade, sentimento que tanto motiva os doadores de sangue à salvarem vidas.

Urge, destarte, que no sentido de aumentar as doações de sangue no Brasil, é imperativo superar a desinformação e o individualismo dos cidadãos. Para tanto, cabe ao Ministério da Saúde, além de ampliar as campanhas televisivas, deve incluir nelas mitos e verdades à respeito da doação de sangue e a explicação de todo o processo de coleta. Tudo isso feito por profissionais da saúde e transmitido todos os dias em horário nobre. O objetivo é desmistificar e incentivar o ato de doar sangue. Ademais, é papel das escolas combater o individualismo e instigar a solidariedade, discutindo sobre a importância da doação de sangue para que se construa um doador do futuro empático que saiba do seu papel social. Desse modo, mostrar-se-á  o respeito pela dignidade humana.