Obstáculos para a doação de sangue no Brasil
Enviada em 03/09/2018
No meio do caminho havia uma pedra
A Magna Carta brasileira de 1988 garante a saúde como direito de todos os cidadãos. Contudo, no limiar do século XXI, os desafios para doação de sangue configuram-se como obstáculo para o bem estar genuíno da população. Na esteira desse processo, a falta de informação associada ao crescente senso de individualismo pós-moderno produzem o panorama caótico da doação de sangue no país.
A falta de informação que permeia a doação de sangue contribui para a escassez de doadores, nesse cenário, muitos acreditam que podem contrair patologias se doarem sangue ou adquirir anemias , bem como insuficiência de nutrientes. Segundo o estudo pelo Instituto de Pesquisa da USP,82% dos entrevistados alegam que não possuem informações suficientes para a doação de sangue, resultando no quadro atual : apenas 1,6 % da população brasileira doa sangue. Desse modo, é inegável que a ignorância , fruta das crenças errôneas , constitui-se como Calcanhar de Aquiles da saúde brasileira.
Paralelamente a falta de informação, de acordo com o sociólogo Emille Durkheim, a sociedade é entendida como um organismo vivo, assim, tal como a febre é um indicativo de que o corpo não está bem , as baixas taxas de doadores são reverberadoras da falta de coesão do corpo orgânico.Nesse cenário, na sociedade pós moderna , a fluidez das relações refletem num crescente individualismo , que compromete a coletividade . Sob essa égide, a falta de interação entre as partes do corpo , agravada pelo advento da modernidade líquida , ocasiona a falta de doadores.
Parafraseando Eduardo Galeano, a primeira condição para modificar uma realidade consiste em conhecê-la. Partindo dessa premissa, é condição sine qua non a exposição da deficiência da doação de sangue no Brasil e os obstáculos , para a sua superação visando a garantia do direito constitucional da saúde. Para tanto, o Estado, com seu caráter socializante e abarcativo, deverá , em parceria com o Ministério da Saúde promover a capacitação dos servidores da saúde , através de simpósios e palestras, para que estes passem as informações necessárias para os voluntários doadores; a mídia - o quarto poder- deverá veicular campanhas de conscientização a respeito da importância da doação e da necessidade de coesão e coletividade; a escola , formadora de senso crítico, deverá levantar debates e discussões em sala de aula estimulando a alteridade , através da doação de sangue , visando a superação do individualismo. Assim, retirando as pedras do caminho , promover-se-à um bem estar genuíno,corroborado pelo funcionamento pleno do corpo orgânico .