Obstáculos para a doação de sangue no Brasil

Enviada em 03/09/2018

Alerta vermelho para o Brasil

Os obstáculos para a doação de sangue na sociedade brasileira estão muito presentes na atualidade. Esses entraves devem ser superados, uma vez que, diariamente, várias pessoas morrem à espera de doadores consanguíneos nas filas e leitos dos hospitais. Nesse sentido, dois aspectos fazem-se relevantes: os entraves para que determinados grupos não possam doar e a carência de estratégias em vistas de ampliar o número de doadores.

Em primeira análise, insta-se observar o impedimento para a doação de sangue de determinados grupos da sociedade. Tais entraves foram estabelecidos em momentos passados e seguem deixando homossexuais fora do grupo apto a fazer doações. A exceção é feita para aqueles que estão há mais de um ano sem manter relações sexuais com pessoas do mesmo sexo. Por conta disso, de acordo com os dados do IBGE, mais de 10% da população masculina não faz parte do grupo de doadores, reduzindo o volume coletado anualmente na ordem de quase 20 milhões de litros de sangue. Assim, a exclusão de determinados setores dos grupos aptos a colaborarem com a doação sanguínea têm impactado no baixo volume conseguido ao longo do ano do líquido vital aos seres humanos.

Outro fator importante reside na carência de estratégias do poder público que motivem o número de doadores não têm surtido o efeito necessário. Estudos mostram que é necessário o dobro dos doadores atuais para garantir que o fornecimento de sangue não sofra interrupções ao longo do ano, mantendo os estoques dos hemocentros. Segundo o especialista João Paulo Baccara, uma doação de sangue pode salvar a vida de até quatro pessoas. Dessa forma, a garantia da ampliação de doadores favorece a manutenção da vida de diversas outras ao longo do ano, pois assegura a continuidade de oferta dos diversos tipos sanguíneos.

Portanto, não há dúvidas, medidas são necessárias para solucionar essa problemática. O Ministério da Saúde, em parceria com a Anvisa, deve editar a norma ultrapassada que proíbe a doação de sangue por homossexuais, com objetivo de aumentar a quantidade de doadores e evitar que os bancos de sangue fiquem desabastecidos. Também, o Ministério da Saúde, em parceria com os diversos veículos de comunicação, deve promover campanhas publicitárias que desmistifiquem os procedimentos para doação de sangue, promovendo maior adesão à prática, em vistas de ampliar o número de doadores e o estoque dos hemocentros. Assim, poder-se-á garantir que nenhuma pessoa deixe de ser atendida, em qualquer situação, pela falta de seu tipo sanguíneo nos hemocentros brasileiros.