Obstáculos para a doação de sangue no Brasil

Enviada em 03/09/2018

Segundo o escritor Franz Kafka, a solidariedade é o sentimento que melhor expressa o respeito pela dignidade humana. Nesta perspectiva, um simples auxílio pode transformar e salvar várias vidas, como aconteceu no filme “Amor sem fronteiras”, no qual a personagem principal dedica-se a trabalhos humanitários em países da África. No entanto, o Brasil ainda enfrenta desafios no processo de ser solidário, como acontece em relação à doação de sangue. Nesse contexto deve-se analisar como a falta de informação e o preconceito com os homossexuais influenciam na problemática em questão.

Em primeiro lugar, vale ressaltar que as campanhas publicitárias não são frequentes e, sem uma maior divulgação à população, o número de doadores faz-se menor do que a real demanda. No estado do Rio Grande do Norte, por exemplo, nos meses de fevereiro e dezembro há grande concentração de eventos, como o Carnaval e oCarnatal, por conseguinte, maior ingestão de bebidas alcoólicas e motoristas embriagados, o que faz com que os acidentes no trânsito aumentem. Assim, a exposição deste problema pelos meios de comunicação e o incentivo a novos doadores ainda são escassos.

De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), os cidadãos que têm relações homoafetivas constituem o chamado “grupo de risco”, pois, nos anos 80, houve o auge da epidemia do vírus da HIV. Neste sentido, o Brasil exclui a doação de homossexuais que tenham realizado sexo até o prazo de 12 meses. Entretanto, a orientação sexual não pode ser o critério de seleção, mas sim a condição de saúde dos indivíduos, uma vez que a Aids também é transmitida por heterossexuais. Com isso, tal grupo fica à margem de exercer a solidariedade e salvar vidas.

Torna-se evidente, portanto, que  devemos superar as barreiras que interferem na doação de sangue. Cabe ao governo, em parceria com a OMS, alterar as leis que excluem os homossexuais da doação e investir em aparatos tecnológicos que controlem com maior rigor os grupos sanguíneos, para avaliar se o indivíduo é portador de alguma doença e averiguar a qualidade do sangue. Ademais, o Ministério da Educação, em parceria com os municípios, deve promover palestras com agentes de saúde e médicos, afim de conscientizar os alunos sobre a importância de exercer o papel de cidadão na doação de sangue.