Obstáculos para a doação de sangue no Brasil

Enviada em 03/09/2018

“No meio do caminho havia uma pedra, havia uma pedra no meio do caminho” esse trecho de Carlos Drummond de Andrade, exemplifica que o homem da sua formação encontra adversidades que necessitam de soluções. De forma análoga, no Brasil contemporâneo a doação de órgãos é uma das faces mais perversas de uma sociedade em desenvolvimento. Com isso, surge a problemática do preconceito religioso que persiste intrinsecamente ligado à realidade do país, seja pela insuficiência de informação, seja pelo fator histórico-social pelo preconceito existente.“impedimento homossexuais”

Dessa forma, é indubitável que a falta de informação sobre o processo de doação é responsável pelos baixos índices de doadores.No início do século XX, a Revolta da Vacina ficou marcada por ser um período de resistência à vacinação obrigatória devido à falta de informação sobre a necessidade do procedimento.Na contemporaneidade, esse problema de ordem informacional se arrasta, trazendo consigo diversos mitos que prejudicam o ato solidário, em função da falta de campanhas eficientes e esclarecedoras a respeito desse assunto. Muitas pessoas, por exemplo, acreditam que podem contrair alguma doença infecciosa durante a coleta. Por consequência dessa falta de conhecimento, o ato de doar sangue torna-se cada vez mais distante da realidade dos brasileiros.

Ademais, é imprescindível ressaltar a persistência do preconceito quanto a doação de sangue por homossexuais, advinda do surto de HIV no século passado, onde mistificou-se que a transmissão do vírus era decorrente do sexo homo afetivo e do contato com seu sangue, o que trás prejuízos até os dias atuais, pois segundo o IBGE são desperdiçados até 18,9 milhões de litros de sangue de homossexuais a cada ano. Contribuindo, assim, para a manutenção da crise no Sistema Público de Saúde, quanto a transfusão sanguíneo.

Infere-se, portanto, a eminência em cessar a problemática. Em razão disso, o Ministério da Educação, deve criar campanhas de incentivos à doação de sangue, por meio de palestras nas instituições de ensino, inclusive na educação infantil, desconstruindo os mitos sobre esse ato, para que, assim, aumente o número de doadores voluntários e forme uma nova geração altruísta, com interesse na doação. Outrossim, é importante que o Governo, através de uma emenda governamental, libere a doação de sangue para homossexuais no Brasil, algo já feito em diversos países da América Latina, como o Chile, para que, dessa forma, cresça a quantidade de doadores e diminua o preconceito sofrido por esses cidadãos.