Obstáculos para a doação de sangue no Brasil

Enviada em 04/09/2018

O sangue é um tecido responsável pela manutenção das funções fisiológicas, com atribuições que vão desde a homeostase até a defesa imunológica, sendo portanto, indispensável para a vida. Contudo, há diversas situações que podem comprometer esse sistema, tais como traumas e doenças, em que o paciente necessita de transfusões para garantir a sobrevivência, mas, não é possível porque, frequentemente, o estoque de bolsas é deficitário. Dessa forma, fica evidente que a carência de doações é extremamente prejudicial à população, tendo destaque a falta de campanhas e a burocracia como dois obstáculos para a realização dessa prática.

Mormente, observa-se que durante a Segunda Guerra Mundial, foram realizadas diversas campanhas de doações de sangue, com o intuito de ajudar os soldados em combate e, por consequência, a população dos países afetados passou a enxergar essa ação como um dever cidadão, não apenas um ato solidário. Diante disso, é possível perceber que como o Brasil não participou ativamente do conflito, os cidadãos acabam não compreendendo o real significado desse ato. Logo, fica claro que para mudar essa realidade, são necessárias medidas recorrentes de conscientização, para que o hábito da doação seja adquirido.

Outrossim, é imprescindível a análise das inúmeras medidas burocráticas que dificultam a doação de tecido hematopoiético, especialmente no que se refere aos homens homossexuais. Nesse sentido, é importante ressaltar que segundo o Ministério da Saúde, aquele público só é apto para a ação se não tiver tido relações sexuais com outros homens em um período de 12 meses, o que dificulta, acentuadamente, a prática por parte desse grupo. Portanto, é visível que a própria rede de saúde e seus regulamentos criam interferências que prejudicam a doação de sangue, no país, sendo necessárias medidas que modifiquem tal realidade.

Destarte, é notório que a falta de mobilizações e a burocracia são agravantes para a situação deficitária de bolsas de sangue nos hemocentros nacionais e devem ser combatidas. A princípio, é de suma importância que as Secretarias de Saúde Municipais, por meio de seus assessores de imprensa invistam em campanhas publicitárias que eduquem o cidadão quanto à importância da doação de sangue, além da criação de um aplicativo que deverá alertar o doador quando seu sangue for usado para salvar vidas, para que assim, ele se sinta motivado a repetir o ato. Ademais é preciso que o Ministério de Saúde, junto aos seus órgãos de pesquisa, criem métodos mais modernos e eficazes de checagem da qualidade e validez hematopoiética, para que assim, os homossexuais possam fazer doações, aumentando consideravelmente o número de pessoas aptas.