Obstáculos para a doação de sangue no Brasil

Enviada em 07/09/2018

Os avanços na área da saúde propiciaram que mais vidas fossem salvas, pois métodos como transplantes de órgãos e transfusão de sangue revolucionaram a Medicina. Entretanto, por causa  de preconceitos sociais, o número de doadores de sangue vem diminuindo, e consequentemente, esse fato cria obstáculos para que haja eficiência no tramamento dos pacientes. Diante disso, deve-se analisar como os aspectos culturais e a discriminação causam a problemática em questão.

Nesse contexto, as questões culturais carregadas de preconceitos são a principal causa da ausência de voluntários. A Revolta da Vacina foi um exemplo disso, pois os cidadãos cariocas se recusavam a serem vacinados, porque acreditavam que era uma conspiração do governo da época. Análogo a isso, por desinformação, a população desconfia dos procedimentos médicos e por isso uma parcela dela recusa-se a fazer doações sanguíneas, visto que é da crendice popular que o processo pode trazer debilidade ao corpo. Por consequência disso, as informações fantasiosas continuam sendo difundidas e fazem com que o número de voluntários decaia.

Atrelado, à sociedade, nota-se, ainda, que a discriminação de homossexuais impede um grupo considerável de pessoas de serem doadores. Isso decore do século XX, no qual ocorria um surto da AIDS e acreditava-se, erroneamente, que somente os gays tinham o vírus transmissor da doença, o HIV, porém, sabe-se atualmente que a doença acomete a qualquer orientação sexual. Contudo, órgãos da saúde continuam segregando esse grupo social. Desse modo, dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) mostram que 10,5 milhões de homens brasileiros são homo ou bissexuais, denotando que a restrição desse grupo diminuem o número de possíveis colaborações.

Torna-se, evidente, portanto, que, no Brasil, a discriminação dos homossexuais e a desinformação como uma questão social são obstáculos que dificultam a doação de sangue no país. Em razão disso, o Ministério da Saúde deve fazer um mutirão todo o mês, por meio das agentes de saúde, as quais podem ir nas casas convidar potenciais voluntários, conscientizando e fazendo acompanhamento, além de possibilitar que as pessoas possam ir aos hospitais e conhecerem na prática sobre a transfusão de sangue. Ademais, a ANVISA  (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) deve revisar a aplicação da lei quanto aos homossexuais e ao invés de restringi-los deve apenas isolar os grupos de riscos, fazendo apuração pelos exames laboratoriais, pois deve-se proibir apenas para aqueles que tem a doença e não por orientação sexual.