Obstáculos para a doação de sangue no Brasil
Enviada em 06/09/2018
O sangue, segundo a Biologia, apresenta muitas funções, sobretudo, a circulação dos nutrientes e oxigênio para o bom funcionamento do corpo. Todavia, de acordo com o Ministério da Saúde, embora o número tenha aumentado, a quantidade de doadores desse tecido fisiológico ainda é baixa no Brasil, não atendendo toda a demanda da população. Diante disso, vale analisar os fatores burocráticos e culturais a fim de engajar a sociedade e entender os desafios dessa questão e mitigá-los.
Primeiramente, é preciso considerar a relação entre as normas institucionalizadas e essa problemática. Até meados do século XXI, a homossexualidade era considerada doença pela Organização Mundial da Saúde. Com isso, somado ao surto da Aids, muitas restrições foram impostas àqueles que sentem atração por pessoas do mesmo sexo. Nesse viés, muitos indivíduos que podem doar, ao apresentar saúde estável, encontram obstáculos e dificuldades na decisão da transfusão sanguínea, já que alguns funcionários de hemonúcleos adotam práticas discriminatórias ao utilizarem como critério a opção sexual, ao invés da integridade bioquímica. Nota-se, então, que um dos desafios é a própria rigidez burocrática, que precisa ser revista para minimizar essa preocupante situação.
Outrossim, vale ressaltar a falta de instrução da nação quanto a esse aspecto da saúde pública. Muitas pessoas, por exemplo, com base em mitos e juízos do senso comum, pensam que doar sangue engorda. Todavia, sabe-se que isso é equivocado e que diversos esteriótipos e paradigmas quanto a transfusão de sangue precisam ser explicados à sociedade. Nesse viés, nota-se que a pouca quantidade de anúncios, que explanem sobre as causas, as consequências e a urgência dessa realidade, é crucial na resolução dessa questão no Brasil. Percebe-se, então, que, de fato, há imensa necessidade de engajar a população nessa campanha, pois, como dizia Max Weber, o indivíduo é o ator social da mudança.
É claro, portanto, que os empecilhos para a transfusão de sangue no Brasil precisam ser atenuados. Para isso, é indubitável que o Estado, na figura do Ministério da Saúde, reveja as diretrizes e normas que restringem a participação de alguns grupos sociais nessa causa, adotando regras que facilitem o engajamento e, simultaneamente, assegurem o bem-estar do doador e do receptor, priorizando, por exemplo, os aspectos fisiológicos em detrimento da orientação sexual a fim de facilitar as doações. Ademais, esse órgão público deve, com o auxílio das escolas, promover palestras e campanhas nas instituições educativa, com médicos e professores de Biologia, que instiguem a reflexão quanto a necessidade dessa nobre causa e instruam pais e alunos quanto os mitos e verdades em torno da doação, pois, assim, a demanda será atingida e os desafios irão ser mitigados.