Obstáculos para a doação de sangue no Brasil

Enviada em 06/09/2018

No Brasil contemporâneo, vive-se sob a égide de uma democracia que provém da Constituição Federal promulgada em 1988. A partir desse pressuposto, inscritos em tal conjunto de leis, estão os direitos fundamentais e sociais, os quais são descritos nos artigos 5º e 6º, assegurando, por exemplo, a vida e a saúde a todos os cidadãos. Entretanto, apesar de garantido pela Carta Magna vigente, podemos perceber que a persistência de heranças históricas dificultam a doação de sangue. Logo, torna-se necessária maior atenção do Estado e da sociedade para mitigar esse desafio.

Primeiramente, vale ressaltar que os obstáculos com a doação de sangue advêm da Revolução Industrial, na segunda metade do século XIX. Nesse contexto, com o avanço da medicina, surgiram mecanismos e possibilidades para doação, como profissionais capacitados e equipamentos que realizassem os procedimentos. No entanto, no início, como maneira de incentivar, os doadores eram pagos para isso, mas muitos passaram a não ter cuidado nas doações e foi proibido o pagamento. Desse modo, atualmente o número de doadores diminuiu e esse quadro precisa ser revertido, já que o sangue doado e de grande importância para transplantes, cirurgias e atendimentos de urgência.

Nessa mesma perspectiva, caberia lembrar ainda as palavras de Isaac Newton, célebre cientista inglês. Esse teólogo, por seu turno, dizia que: “Construímos muros demais e pontes de menos.” Essa afirmação sintetiza que nossos problemas, muitas vezes, são maiores que as soluções encontradas para eles e o mesmo acontece com os desafios para doação de sangue. Nesse sentido, um dos obstáculos é que os homens homossexuais são restritos para fazer doação e uma grande quantidade de sangue é perdida. Dessa maneira, embora o Ministério da Saúde e a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) afirmam que orientação sexual não deve ser usada como critério para seleção de doadores, a realidade dos hemocentros não é esta, visto que os homossexuais são impedidos.

Enfim, para enfrentar os desafios de assegurar os direitos fundamentais, principalmente os referentes à vida e à saúde, é necessária uma política que se oriente pelo princípio da responsabilidade compartilhada dos atores sociais, como o Estado e a sociedade. Inicialmente, compete ao Governo, na figura do Ministério da Saúde, promover políticas públicas, por meio da efetivação da análise das bolsas de sangue antes de oferece-la ao paciente ao invés de proibir candidatos a doadores, como os homens homossexuais, com o intuito de ampliar o número de doadores de sangue, Por fim, é função da sociedade civil organizada, por sua vez, sensibilizar a população e praticar a empatia, por intermédio de campanhas nas redes sociais sobre a importância de doar sangue e incentivar as pessoas nessa prática, a fim de salvar vidas e formar um país mais solidário.