Obstáculos para a doação de sangue no Brasil
Enviada em 07/09/2018
Segundo a OMS, o sangue é a parte do organismo mais compartilhada entre os humanos, por mais comuns que tenham se tornado os transplantes de órgãos, como córneas, coração e rins, nada se compara o número de transfusões sanguíneas realizadas no mundo hodierno. Apesar desse dado expressivo, a falta de informação e o preconceito estigmatizado sobre os homossexuais, na sociedade brasileira, são entraves responsáveis pelo déficit de doações sanguíneas no país. Desse modo, medidas fazem-se necessárias para reverter essa situação.
Em primeira análise, é válido ressaltar que ainda no início do século vinte, o caráter compulsório e a pouca informação prestadas pelos governantes à população, sobre as benécies de uma vacina, culminou na Revolta da Vacina , no Rio de Janeiro. De maneira análoga, as sucintas campanhas publicitárias sobre doações de sangue no país, corrobora para o desconhecimento por parte da população desse procedimento, acarretando, em um menor número de doadores desse recurso vital. Assim, perpetuam dados como o da ONU, que em 2014 as doações sanguíneas no país, não chegou à metade do mínimo necessário para suprir as necessidades da pátria.
Não obstante, da problemática existente, o preconceito herdado da década de 80, quando uma epidemia do vírus da HIV, assolou veementemente os homossexuais, constitui um obstáculo para que essa minoria doe sangue no Brasil. Visto que ainda, a OMS os consideram potenciais portadores desse vírus e recomendam que eles apenas realizem doações se estiverem há um ano sem consumar relações sexuais. Dessa forma, segundo dados do IBGE, quase 19 milhões de litros deixam de ser doados na nação, por conta do caráter homofóbico e excludente dessa decisão da OMS, que infelizmente o país é adepto. Assim, alternativas fazem-se urgentes para reverte esse quadro descriminatório enraizado na sociedade brasileira.
Fica claro, portanto, empecilhos para concretização da doação de sangue nos hemocentros do país. Dessa forma, o governo Federal em parceria com a mídia poderia aumentar substancialmente o número de propagandas sobre o tema, fazendo com que elas provoquem um caráter altruísta e empático no público, a fim de aumentar o número de doadores. As universidades como instituições formadoras de cidadãos, podem elaborar palestras demonstrando aos seus discentes a importância de doar sangue. Além disso, o Brasil, como nação soberana, pode desvincular-se da orientação da OMS sobre as doações de sangue envolvendo os homossexuais, criando tecnologias que possam fazer uma análise mais minuciosa do sangue coletado, assim, reduzindo o caráter descriminatório com essa minoria e aumentando o número de doadores de sangue.