Obstáculos para a doação de sangue no Brasil
Enviada em 21/10/2018
A globalização, ocorrida no final do século XX e ínicio do século XXI, tornou-se um processo de aprofundamento e aproximação das relações econômicas, políticas e sociais entre as pessoas no mundo. Desde então, observa-se que esse processo mundial acelerou o crescimento populacional, aumentou a expectativa de vida, intensificou os problemas de saúde e, por consequência, a necessidade por doação sanguínea. Diante disso, os obstáculos para a doação de sangue no Brasil, torna-se uma problemática intrinsecamente atrelada á realidade do país, seja pelo maior números de idosos presente na sociedade, seja pela restrição da população homossexual no processo de doação, o qual diminui uma grande oferta nos bancos de sangue.
É indubitável afirmar que a expectativa de vida está entre as causas do problema. Segundo, Drauzio Varela, médico e oncologista brasileiro, a expectativa de vida no Brasil vem crescendo durante os últimos 20 anos, porém os diversos problemas de saúde aumentam junto com a idade. Desse modo, uma sociedade que possui uma população com maior numero de idosos e com problemas na saúde, faz com que haja uma queda da população possivelmente doadora, já que o limite no processo de doação restringe-se a pessoas com 60 anos, favorecendo assim, uma escassez de bolsas sanguíneas nos institucionais responsáveis pela doação de sangue.
Outrossim,destaca-se afirmar que criou-se uma ligação forte entre homossexualismo e a transmissão de doenças sexualmente transmissíveis. De acordo com Zygmunt Bauman, sociólogo polonês, a modernidade dinamizou as relações sociais, permitindo maior “fluidez”, na relações sexuais. Entretanto, essa ideia de “maior fluidez” foi associadas, principalmente, aos homossexuais. Desse maneira, concebeu-se verdadeiras bolhas de aversão social e tornou-se raízes originadoras do preconceito na sociedade, negando e limitando assim, os homossexuais do processo de doação de sangue á outras pessoas, de forma que categoriza-o e inferioriza-o a um estrato social indissociável a ele.
É evidente, portanto, que ainda á entraves sociais e legais á serem resolvidos. Dessa modo, a atuação do Ministério da Saúde, institutos educacionais de pesquisa e inovação e universidades junto ao Governo devem debater e rever os critérios no processo de doação, por meio de pesquisas e estudos. Além do mais, garantir a acessibilidade legal, por meio de Ouvidorias, telefones, sites e aparato jurídico disponível em caso de denúncias por motivos de preconceito. Polarizar á informação para doação de sangue mediante á rede sociais, campanhas, congressos e simpósios deve ser ferramentas usadas no processo conscientização. Dessa forma, o debate, o acesso e a orientação cidadã permitem a construção de mundo mais saudável, harmônico e solidário entre as pessoas.